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Recolhido ali à prisão da Ponta da Areia, fui processado pelo ouvidor do crime, ficando incluso em muitos artigos criminais! Mandaram-me depois para Lisboa, e finalmente fui ter à cadeia do Limoeiro, em cuja prisão fui muito socorrido pelo deputado do Piauí Dr. Miguel de Borges Leal Castelo Branco, e pelo coronel maranhense Honório José Teixeira, que então se achavam em Lisboa...

LEONARDO DAS DORES
Um poeta na luta pela independência

Toni Rodrigues
Editor de MUNICÍPIOS

          A história não faz jus à importância de Leonardo de Carvalho Castelo Branco ou Leonardo de Nossa Senhora das Dores Castelo Branco. Poeta, prosador, mecânico e revolucionário foi o principal idealizador e estrategista da independência do Piauí que, em 13 de março de 1823, culmanaria na sangrenta Batalha do Jenipapo.
          Nascido na fazenda Limpeza (hoje município de Esperantina) em 1788, participou ativamente do movimento deflagrado em São João da Parnaíba a 19 de outubro de 1822. Na época, o príncipe-regente D. Pedro I havia proclamado a independência do Brasil. Porém, o Piauí permanecia sob o domínio de Portugal, que destacou inclusive um militar, major João José da Cunha Fidié, para sufocar o ânimo separatista na província piauiense.
          Na Vila de São João da Parnaíba, proclama-se a independência. Leonardo das Dores alia-se aos insurgentes e, quando Fidié partiu de Oeiras para Parnaíba, refugiou-se em Granja, no Ceará, juntamente com seus companheiros.
        Fascinado pela causa, escreveu “Monólogo”, em que expressa deslumbramento patriótico:
                  “Oh! Sete de Setembro! Fausto dia!
                  De glória e de prazer ao brasileiro
                  Que preza a Pátria, o dever e a glória!...
                  Preza os céus que um sol puro te alumie...
                  Por evos tantos quanto dure o mundo...”

          Aliado ao capitão José Francisco de Miranda Osório, organizou uma tropa de voluntários e a dividiu em duas linhas. Assumiu o comando da primeira, que marchou sobre Piracuruca, e passou a Miranda Osório o comando da segunda, que deveria seguir para Campo Maior a fim de impedir o retorno de Fidié para Oeiras.
          O pesquisador Valdemir Miranda relata sobre o poeta e revolucionário que Leonardo entrou em Piracuruca a 22 de janeiro de 1823, prendeu o destacamento que Fidié ali deixara e proclamou a independência. Em seguida, redigiu extenso termo de proclamação:
          “Queridos irmãos que habitais as fecundas margens do caudaloso Parnaíba, por um ou outro lado, dignai-vos a atender às sinceras vozes de um patrício vosso, que, todo, unicamente se dedica ao vosso presente e ainda mesmo futuro...”
          Prossegue: “Até quando, malignas e espessas nuvens ofuscam as luzes do vosso entendimento, pois vós sois brasileiros, e recusais obedecer ao Sr. D. Pedro, Imperador Constitucional e seu perpétuo Defensor?...”
          E os conclama à luta: “E o que é que esperais? Temeis as forças do miserável Portugal esgotadas com as contínuas levas de soldados para o sul do Brasil, onde todos têm sido sacrificados à deusa da liberdade brasiliense, que esmaga suas cabeças com a mão armada do ferro com que pretendiam subjugar-nos? (...) “Acaso (a liberdade) será privilégio exclusivo dos europeus ou nos será preciso decorrer certo número de anos para adquirirmos esse direito?...”