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Piauí ganha mais um parque nacional
Tânia Martins
Para o Turismo

          O Piauí vai ganhar seu quarto parque nacional. Trata-se do Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba. Pegando carona entram os Estados de Tocantins, Maranhão e Bahia. Se for aceita a proposta do Ibama local, esse será o maior parque do Estado. Atualmente, o maior é o Parque Nacional Serra das Confusões, com 502 mil hectares.
          A proposta é incluir a área da cordilheira do Jalapão no Estado de Tocantins. Hoje, as nascentes são Áreas de Proteção Ambiental-APAs Estadual e Federal. A primeira foi criada em 1983 e a segunda em 1990.

LIMPO / Região ainda não sofre com a
poluição
Segundo o vice-governador do Estado, Osmar Araújo, que esteve em audiência com o ministro do Meio Ambiente Sarney Filho, a proposta do ministério é criar o parque ainda este mês, no entanto, vai depender do relatório sobre a biodiversidade da área, que começou a ser feito semana passada.
Os trabalhos estão sendo orientados pela Coordenadora de Articulação Regional do Ibama, Maria de Fátima Pereira da Silva. De acordo com ela, ainda é cedo para divulgar os potenciais da região. ‘A nossa preocupação é de não atrair pessoas para a área, já que chegar até lá é, além de complicado, muito perigoso’, diz, referindo-se à presença de animais selvagens, como onças.
           O único trabalho que se tem notícia sobre as nascentes do rio Parnaíba foi realizado pela Fundacão Rio Parnaíba-Furpa em parceria com outras instituições. Assinam o relatório biólogos, engenheiro florestal, geógrafos, cartógrafos e agrônomos. Nele há informações técnicas capazes de orientar a implantação de planos e projetos que visam a conservação dos recursos naturais.
AS NASCENTES
          Tudo começa na Serra da Tabatinga, que limita o Piauí com a Bahia, Maranhão e Tocantins. A Bacia Hidrográfica do Parnaíba abrange cerca de 339.000 quilômetros quadrados e envolve os Estados do Piauí, Maranhão, Ceará, e tem como divisor de águas o Tocantins. O Piauí domina 75% dessa bacia, o Maranhão 19% e o Ceará 6%.
          Na Tabatinga, no Alto Parnaíba, as nascentes se esboçam através de ressurgências na Chapada das Mangabeiras, que formam os cursos dos rios Lontras, Curriola e Água Quente. A união desses rios forma o rio Parnaíba.
          De acordo com relatório técnico do IBGE de 1977, o rio Parnaíba possui regime tipicamente tropical, assemelhando-se com o regime do rio São Francisco, na Bahia.
          A vegetação da região é um tanto complexa e diversificada. Pelo fato de o Piauí estar localizado geograficamente no Meio Norte do país, sofre influências, além da Caatinga, da Floresta Amazônica e dos Cerrados. No entanto, a fitofisionomia da área pertence ao bioma Cerrado. Em relação à fauna, esta tende a seguir as influências dos três ecossistemas. Por lá é fácil ver veado-campeiro, tamanduá-bandeira, onça pintada, porco-do-mato, gavião-rei, araras de várias espécies, lagartos e uma infinidade de pássaros.
DEGRADAÇÃO
          De modo geral é unânime afirmar que as nascentes do rio Parnaíba ainda são uma área preservada. Agora, se o tratamento que o Ibama dispõe para resguardar a região for o mesmo que dá aos demais parques brasileiros, com exceção do da Serra da Capivara, que é administrado por uma ONG, dentro de pouco tempo várias espécies serão extintas, entre elas a arara-azul e o papagaio.
          Hoje, o tráfico desses animais na região é corriqueiro. O escoamento é feito pelo município de Corrente. Os traficantes despacham os animais para o sul do país embalados de forma inadequada para burlar a fiscalização. Resultado: o bicho, quando não morre, chega ao destino muito maltratado.
          As queimadas, o desmatamento e a caça predatória também são evidentes naquela região. Em muitos trechos é visível o uso inadequado dos recursos naturais e a expansão desse processo pode comprometer a qualidade e a disponibilidade até dos recursos hídricos.
          Os projetos agrícolas de grande extensão também comprometem as nascentes. Sobrevoando a serra vê-se, de todos os lados, quilômetros e mais quilômetros de áreas devastadas para plantação de soja. Resta saber o que o governo vai fazer para retirar produtores poderosos da área.