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A colonização do Piauí

Como já sabemos, os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, último ano do século XV. Durante o século XVI eles exploraram o litoral do Nordeste. E no século XVII se espalharam pelo sertão nordestino criando gado. O governo português não considerava os índios donos das terras. Por isso apoiavam os fazendeiros no combate às tribos e na ocupação das terras. Foi deste modo que os portugueses donos de fazendas na Bahia chegaram ao sertão piauiense.

O início de seu povoamento ocorreu somente em 1697 com a criação de uma capela, que serviria de freguesia de Nossa Senhora da Vitória, fundada pelo Pe. Miguel Carvalho, as margens do riacho da Mocha. Elevada a categoria de Vila em 1717, essa freguesia recebeu a designação de Vila da Mocha, onde se situa a cidade de Oeiras, antiga capital do Estado.

A igreja Nossa Senhora da Vitória, de uma forma geral, definiu a vida e desenvolvimento da Vila do Mocha.

O início do povoamento do Piauí processou-se uma toda desorganização sócio-político-administrativa, sendo este o contexto em que foi elevado a capitania de São José do Piauí em 1718. À distância, o isolamento e o total abandono fizeram com que o Piauí se integrasse muito tarde com os demais estados que já dispunha de infra-estrutura. Esta situação privou o Piauí de participar, mais efetivamente, dos grandes acontecimentos históricos, provocando um sensível atraso em todo o seu desenvolvimento.

A colonização do Piauí, fruto de iniciativa privada, processou de maneira espontânea e desordenada por fazendeiros e aventureiros, que não recebiam estímulo e proteção dos poderes públicos, estando as autoridades coloniais voltadas para as fabulosas riquezas de Minas Gerais. Convém registrar o abandono do Piauí, nos quase dois séculos após o descobrimento do Brasil.

O europeu dava preferência ao litoral, pela fácil comunicação com a terra natal. Assim os estados circunvizinhos como Maranhão, Ceará e o Rio Grande do Norte, paulatinamente iam sendo colonizados.

O processo de desbravamento do território piauiense deu-se de maneira específica, do interior para o litoral, quando já estava praticamente assentado o contorno geográfico das demais províncias limítrofes. A posse deu-se antes da propriedade, que foi demarcada, depois da distribuição das Sesmarias. Coube ao bandeirante Domingos Jorge Velho iniciar os primeiros núcleos de povoamento, criando currais, criando gado e domesticando o gentio.

Do estado da Bahia, partiu Domingos Afonso Mafrense que também disseminou currais em terras piauienses. Ao tomar conhecimento do desbravamento do Piauí, o Reino começou a doar Sesmarias de forma intensa e abusiva para aristocratas baianos e pernambucanos. Esses sesmeiros, por intermédio de procuradores, subdividiam suas terras e arrendavam-nas para quem tivesse condições de manter o arrendamento.

Os verdadeiros desbravadores ficavam, então reduzidos à condição de posseiros e arrendatários. Esta distribuição aleatória injusta de terras no Piauí resultou em conflitos entre sesmeiros e posseiros. Não havia controle social. Cada um defendia-se de acordo com a sua maior ou menor capacidade de resistência; os litígios eram decididos pelas forças das armas. Os fazendeiros muitas vezes, eram considerados como usurpadores de terras, criando um grande embaraço para o governante da província.

O governo não tinha condição de acabar com essa desavença, pois o isolamento e a falta de recursos matéria e humano faziam com que estes não desse grande importância à causa.

Com efeito, o processo de povoamento do Piauí foi lento e demorado; os colonizadores não se interessavam em divulgar as riquezas da terra. Os primeiros habitantes do Piauí preocuparam-se inicialmente, em começar em sua nova terra a criação de gado, transferindo-se dentro de pouco tempo em ricos fazendeiros com o monopólio de toda a criação de gado da região.