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BRASIL 500 ANOS - SUA HISTÓRIA  É UM CONTO POPULAR

CAPÍTULO - 11
BRASIL
ERA DAS PRIVATIZAÇÕES 
( SARNEY)
1985 - 1990
PODER DOS BANQUEIROS
( BANCOS PRIVADOS )


               Uma passada de olhos no Brasil, do fim do Regime Militar até nossos dias, não deixa dúvidas: somos o paraíso dos bancos privados. Os lucros obtidos pelas instituições financeiras retratam com bastante fidelidade nossa realidade. 
               Diferentemente de outros segmentos, os bancos não são meros espectadores da vida econômica deste País. Ele participa ativamente de nossa história financeira e principalmente dos lucros; quando a rentabilidade não vem a contento, o Governo procura mantê-la custeando os prejuízos.
               Vivemos em um processo de aceleração capitalista , num ritmo jamais visto. Resultado da globalização, onde a economia nacional é canalizada para as classes dominantes.


PRESIDENTES DO BRASIL
NOVA REPÚBLICA
1985 - 1990
JOSÉ SARNEY


               Sarney entrou na Presidência pelos fundos, era vice de Tancredo . Foi um Governo grande: inflação ( quase 2000% por ano), dívida externa ( mais de US$100 bilhões ), escândalos financeiros e denúncias de corrupção, em grande quantidades. 
               Em seu Governo, a Democracia parecia consolidada: o Congresso Nacional cria uma comissão interpartidária para eliminar leis e decretos arbitrários ( remoção do entulho autoritário ); restabelece a eleição direta para Presidência da República e para prefeito das capitais e municípios considerados áreas de segurança nacional, os partidos comunistas foram legalizados e chegaram até a eleger deputados. Todavia, Sarney sempre que podia mostrava sua face de ex-UDN - ARENA - PDS : Plano Cruzado ( feito apenas para o Governo, agora no PMDB, ganhar as eleições); concessão de canais de rádio e TV; verbas para currais eleitorais de parlamentares ( para o Congresso aprovar cinco anos de mandato para ele ) . Manifestações de trabalhadores sempre eram reprimidas pela polícia ( exemplos: Leme - SP e Brasília ).
               Nas eleições de 1986, os Deputados Federais e os Senadores receberam a incumbência de elaborar uma nova Constituição. O Congresso Nacional foi dividido em dois blocos: Progressista ( PT, PCB, PC do B, PDT e alguns do PMDB) e Centrão ( PFL, PDS, PL, PTB e vários do PMDB). O Centrão era formado por políticos conservadores ligados à burguesia, por isso não era de centro, mas de direita. Os progressistas eram políticos de esquerda que defendiam mudanças a favor das camadas populares.
               Entretanto, as pressões dos latifundiários ( UDR), banqueiros, multinacionais e militares fizeram com que a Constituição de 1988 tivesse suas limitações democráticas.

CRONOLOGIA

                              1985

               Raia a República - esperava-se que fosse nova, mas não foi. Toma posse, na condição de Presidente da República, o senhor José Sarney, fruto de uma bem calculada aliança de setores descontentes da Ditadura Militar, com o maior partido de oposição do Brasil e da inesperada morte de Tancredo Neves.
               O País vive a expectativa das eleições diretas dos prefeitos das capitais.
               É convocado oficialmente o Congresso Constituinte. 

                              1986

               Sarney e o ministro da Fazenda, Dilson Funaro, baixam o decreto: Plano Cruzado. Suficiente apenas para servir de propaganda do Governo nas eleições do mesmo ano. Do plano, só sobrou para o trabalhador arrocho salarial e um novo surto inflacionário .
               Uma manifestação de trabalhadores rurais, na cidade de Leme - SP, é reprimida com tiros de revólver pela Polícia Militar. Saldo: dois trabalhadores mortos.
               A Volkswagen e a Ford se aliam para fundar a Autolatina. Montadora com base no Brasil e Argentina, 15 fábricas, 75 mil operários e produção de 900 mil carros.
               A polícia de Sarney reprime uma manifestação de trabalhadores em Brasília.
               O País já tem seus Deputados Constituintes.
               O Brasil faz o reatamento das relações com Cuba.

                              1987

               A recessão volta a fustigar a classe operária. Voltam os dramas das demissões em massa.
               Dilson Funaro é substituído por Bresser Pereira, que acaba com o gatilho salarial e cria a correção pela Unidade de Referência de Preços - URP. A nova política econômica estabelece uma perda de 21% nos salários. 
               O Governo Sarney, incapaz de definir uma política econômica, demite Bresser Pereira, assume o cargo, Mailson da Nóbrega, que traz de volta a conservadora política econômica: ajuste. O arroz com feijão de Mailson não é suficiente para encher a barriga da classe operária brasileira.

                              1988

               Sarney e Mailson assinam decreto estabelecendo o congelamento da URP, por dois meses, dos funcionários da Administração Federal e das Empresas Estatais. A medida representa uma perda de 35% do poder aquisitivo e mais arrocho para o trabalhador.
               É promulgada a nova Constituição Brasileira. Através de concessão de canais de rádio e TV, e liberação de verbas para currais eleitorais de parlamentares, convenceram a maioria do Congresso Constituinte para aprovar cinco anos de mandato para Sarney. Roberto Cardoso Alves tinha razão: "É dando que se recebe ".
               Sarney vai à televisão para atacar as conquistas sociais obtidas no primeiro turno de votação da Constituinte, juntando-se ao coro dos grandes empresários, para pressionar os parlamentares a votarem um texto mais conservador no segundo turno.
               Morrem três operários em Volta Redonda - RJ, durante confronto de grevistas e forças do Exército. E no Acre, Chico Mendes é assassinado.


                              1989

               Um ano apoteótico para a classe operária brasileira. Pela primeira vez na História do País, um operário - Lula - disputa uma eleição para Presidência da República com chance de vitória. Lula foi derrotado nas urnas, mas ficou a certeza de que o trabalhador brasileiro pouco a pouco vai se conscientizando de sua importância, sabendo que ele também existe e tem força na Política Nacional.

               O filme se repete : congelamento de preços e salários - Plano Verão.

                              1990

               A Nova República chega ao fim. Fernando Collor de Melo assume a Presidência da República. E no dia seguinte à posse, anuncia o Plano Brasil Novo. Collor confisca o dinheiro do povo, inclusive o que estava em conta corrente e em caderneta de poupança.
               No mapa-múndi da pobreza, em má distribuição de renda, o Brasil só perde para Serra Leoa ( país africano) e Honduras ( república da América Central). Estão à nossa frente os paupérrimos países: Nepal, Malásia, Trinidad-Tobago, Sri Lanka, Bangladesh, Tailândia e El Salvador ( dados do Banco Mundial - BIRD).
               Vítimas da injusta distribuição de renda do País, a cada três minutos, morrem duas crianças brasileiras, menores de 1 ano, sendo uma delas no Nordeste. Motivo: desnutrição (Fundação Oswaldo Cruz ).
               Aproximadamente dois milhões de trabalhadores são acidentados por ano, em nosso País. A construção civil representa 25% das estatísticas. A maioria dos acidentes ocorrem meia hora antes do almoço (40%), ou meia hora após (52%). Principal motivo: tonteiras ( levantamento feito pelo Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal - Seconci.


PRESIDENTES DO BRASIL
BRASIL NOVO
1990 - 1992
FERNANDO COLLOR


               Passaram quase 30 anos para os brasileiros poderem votar diretamente para Presidente da República. As primeiras pesquisas davam Brizola (PDT) na cabeça e Lula (PT) em segundo lugar. A burguesia, com medo de um governo de esquerda, começou a procurar um candidato com chance de vitória: Jânio estava velho. Aureliano Chaves não descolava nas pesquisas, estava sempre por baixo. Quem poderia ajudar a burguesia? Eis que surge o caçador de marajás, Fernando Collor de Melo, apoiado por um esquema publicitário excepcional.
               O povo viu em Collor um homem que nada tinha a ver com os políticos tradicionais. Esqueceram que ele fora prefeito de Maceió, nomeado pela Ditadura; deputado do PDS que votou em Maluf, contra Tancredo; e governador do PMDB, mas fiel ao Governo Sarney.
               Na TV, Collor dizia : "não tenho dinheiro para comprar um aparelho de som igual ao de Lula". O "coitadinho", filho de família tradicional, dona de duas emissoras de TV, para mostrar que Lula era o Lobo e ele o Cordeiro, mostrou na TV a ex-namorada de Lula, com quem tivera uma filha. Collor venceu as eleições. A burguesia respirou aliviada.
               Fernando Collor foi cassado por uma CPI que terminou no impeachment do presidente. Na tentativa de evitar sua cassação, Collor renunciou, dando lugar a seu vice, Itamar Franco. Mesmo assim, teve seus direitos políticos suspensos por oito anos.

CRONOLOGIA

                              1990

               É anunciado o Plano Brasil Novo, mais conhecido por Plano Collor: o Governo confisca os valores das contas correntes e aplicações bancárias, incluindo poupança.
               No primeiro semestre do ano corrente, as demissões na indústria já passavam de 200.000 em todo o país.
               É extinta a Lei Sarney: que dava incentivo à cultura. Motivo: redução de despesas.

                              1991

               É anunciado o Plano Collor II, mais uma tentativa de controlar a inflação. 
               Surgem as primeiras denúncias de irregularidade e corrupção contra o Governo.

                              1992

               O Supremo Tribunal Federal mostrou sua nobreza, numa decisão histórica mostrou que não seria obstáculo no caminho do impeachment. Por 8 a 1, considerou que o voto na Câmara deveria ser aberto. O momento mais belo da sessão foi durante o voto de José Celso de Mello, que justificou sua posição a favor do voto aberto com a frase: " A Democracia não pode conviver com o mistério".
               Instaurada em 26 de maio do corrente ano, a CPI terminou com o impeachment. O processo de impedimento do Presidente, que contou com o apoio popular, teve sua votação no Congresso Nacional em 29 de setembro de 1992. Foi aprovado com 441 votos a favor, 38 contra e 1 abstenção. Decisão ratificada pelo Senado Federal.

PRESIDENTES DO BRASIL
GOVERNO TAMPÃO
1992 - 1994
ITAMAR FRANCO


               Itamar Franco (vice de Collor) assumiu o Governo em 29 de dezembro de 1992. Collor já não representava os interesses das elites que o elegeram. Havia expectativa e desconfiança no novo Governo.
               Como a base de sustentação política era a mesma, assim também ficaram as diretrizes econômicas. Com suas premissas básicas: abertura ao capital externo, privatização das empresas públicas e incentivo às importações.
               No combate à inflação, foi criado um plano de estabilização econômica - O Plano Real - com a criação de uma nova moeda ( 01.08.93). 
               O Plano Real baixou a inflação e fez nossa moeda estável. No Câmbio, 1 real equivalia a 1 dólar. O Plano Real ficou conhecido e ganhou popularidade, a ponto de levar o Ministro Fernando Henrique Cardoso, criador do plano, à Presidência do País.
               Itamar Franco fez um Governo de transitoriedade. Levado pelas circunstâncias , manteve o essencial da política anterior, procurando iniciar a integração do País com as diretrizes da globalização.

CRONOLOGIA

                              1992

               Itamar assume a Presidência , com a tarefa de fazer a burguesia esquecer o trauma Collor. O eleitorado votara em Collor, e não em seu vice.

                              1993

               É criado uma nova moeda: 1 Cruzeiro Real valia 1000 Cruzeiros antigos. O Cruzeiro Real vira Real, onde 1 Real é igual a 2.750 Cruzeiros Reais. E, para efeitos cambiais, 1 Real é igual a 1 Dólar.

                              1994

               Com o apoio dos veículos formadores de opinião pública, somado aos interesses das elites, Fernando Henrique Cardoso vence as eleições para presidente , já no primeiro turno

PRESIDENTES DO BRASIL
ERA DA GLOBALIZAÇÃO
1995 - 1998
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


               Fernando Henrique Cardoso, sociólogo de formação marxista, com um perfil político de centro-esquerda, é a alternativa viável para o fortalecimento dos setores políticos conservadores, para preservarem seus direitos dentro dos novos padrões da economia globalizada.
               As privatizações e a abertura da economia fazem parte do Neoliberalismo, que usa a globalização para que os países desenvolvidos penetrem na política e na economia dos países mais pobres.
               Em campanha, Fernando Henrique, acompanhado pelos caciques do PFL, prometia trilhar os caminhos que beneficiassem os mais pobres com saúde e educação. Porém, como presidente sua ação nesses setores tem sido medíocre.
               Com a inflação aparentemente controlada, somada com as alianças que sustentavam seu governo, FHC teve respaldo suficiente para que fosse aprovada, no Congresso, uma Emenda Constitucional que permitia à reeleição. Tornando-se, assim, o primeiro presidente brasileiro a se reeleger (1998).

CRONOLOGIA
               

                              1995

               O monopólio da Petrobrás chega ao fim. O brasileiro já admite que o petróleo não é nosso. 
               O Banco Central comunica que, em apenas cinco dias, 2 bilhões de dólares deixaram o País. A crise continua frequentando o Brasil.
               O Senador Antônio Carlos Magalhães bufava de raiva: queria que o Banco Central suspendesse a intervenção no Banco Econômico. 

                              1996

               Chega a 6,7 bilhões a quantidade em dinheiro que o Governo gastou na tentativa de salvar o Banco Nacional.

                              1997

               O Bamerindus, do banqueiro senador paranaense José Eduardo Andrade Vieira, sofre intervenção do Banco Central.

                              1998

               Nelson Sakagushi dar o maior golpe bancário já descoberto no País. Ninguém sabe onde ele enfiou 242 milhões de dólares.
               O cinema brasileiro entra em cartaz: Central do Brasil . Nossa indústria cinematográfica mostra que está viva.

PRESIDENTES DO BRASIL
ERA DA GLOBALIZAÇÃO
1999 . . .
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

               O segundo Governo de Fernando Henrique Cardoso tem como desafio mostrar sua capacidade de superar os graves problemas que assolam o País: estabilizar a economia, conter as altas taxas de juros, diminuir o desemprego e flexibilizar as relações trabalhistas, previdenciárias e tributárias.
               É necessário que existam razões de esperança e até de otimismo no País chamado Brasil. As regras das competições entre burguesia e classe operária devem-se tornar mais justas e equilibradas.
               As reivindicações de um povo que contesta o Poder, pretendendo trabalho e melhores salários, educação e saúde, querem apenas a liberdade de manifestar esses desejos que carregam há anos de vida vivida, ou tem-se a perspectiva e a expectativa de que a elite nativa deixe de agir em seu exclusivo benefício.
               Os donos do poder não são antídotos, e nem salvadores da Pátria. As revoltas de um povo vêm à baila com as suas necessidades e têm conexão com o destino inglório.

                              1999

               A taxa de mortalidade infantil é de 40% de óbitos por mil nascimentos. A média nacional de casas sem água encanada é de 29%, sem falar no inchaço das grandes cidades.

                              2000

                              O Conselho Monetário Nacional extingue as restrições à movimentação dos recursos externos destinados a bolsas de valores e aplicações de renda fixa remunerada pela variação dos juros. O capital estrangeiro, tanto de pessoas jurídicas quanto de pessoas físicas, poderá ingressar e transitar livremente por diferentes aplicações no País.
                              A apropriação de renda é singularmente perversa, 53% das riquezas estão nas mãos de 1% da população. E apenas 8% da sobra são divididos entre os mais pobres. O Nordeste, que representa 18% do território nacional, abriga 30% da população e detém apenas 9% do PIB. O mapa da fome mostra que 70% dos 2.5 milhões de favelados da cidade de São Paulo é originado do Nordeste.

               Posição do Brasil no ranking do desemprego : 

                              1975 11º lugar
                              1986 9º lugar
                              1990 8º lugar
                              1995 5º lugar
                              1999 3º lugar
               Os dados do ranking são da Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios ( PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE).


EPÍLOGO

               Não acredite que haja inocência quando dizem: "tudo aconteceu porque não poderia ser de outra forma. O Brasil está assim é por que só poderia ter sido assim". Os que dizem desse modo estão procurando camuflar o fato de que tanto ontem como hoje, e em todo o tempo, podemos escolher novos caminhos.
               Hegel ( filósofo alemão) já dizia: "o resultado é inseparável do processo que o criou". Tornar inteligível é entender o presente, é conhecer o método como ele foi gerado e como foi que se chegou até aqui.
               Hoje é ruim? Ontem foi pior. Amanhã será melhor. São opiniões e conceitos de cretinos que se omitem para não fazerem nada. É estar de acordo com o que está acontecendo.
               Todos precisam participar dos acontecimentos políticos. Pois, com atos políticos podemos evitar que crianças morram desnutridas ou vivam abandonadas pelas ruas; que menores se prostituam para angariar alguns trocados para ajudar o sustento de casa; que velhos, depois de anos de trabalhos, sejam considerados apenas uma despesa para a Previdência Social. E mais, podemos evitar que o pior de todos os bandidos, que é o político corrupto, continue explorando o povo.
               Seus problemas podem ser familiares, emocionais, até sexuais, e você dizer: nada tenho a ver com a sociedade e nem com a política.
               Não tem uma ova! Tudo tem a ver! Isso seria analfabetismo político. Você se enquadraria nesta categoria?!