|
BRASIL 500 ANOS - SUA HISTÓRIA
É UM CONTO POPULAR
CAPÍTULO - 2
BRASIL COLONIAL
1533 - 1822
O PODER DOS LATIFUNDIÁRIOS
(SENHOR DE ENGENHO)
Acontecimentos históricos são resultados das ações das classes sociais, das revoltas nativistas, e das lutas por problemas locais. No Brasil Colonial, os problemas econômico, administrativo, político e social vieram adquirir corpo com a sociedade mineradora. Pois, na sociedade açucareira, essas mesmas questões eram emolduradas de acordo com a vontade dos latifundiários.
No Brasil Colonial, a luta no campo não era pela terra; mas, sim, pelo escravo. Era possível ter terra em abundância e produzir pouco, porque não tinha escravo . A sociedade
açucareira tinha uma vida basicamente rural, enquanto que a mineradora progredia nas vilas, e, indiretamente, desenvolveu outras atividades que atendiam ao mercado: artesãos, comerciantes, alfaiates, sapateiros, ferreiros... e para exercer o rigor fiscal e tributário, os funcionários públicos.
O Pacto Colonial, também chamado Monopólio Colonial, criava uma economia sem liberdade. Existia para satisfazer uma monocultura exportadora, e trazia problemas: desgaste do solo e a destruição das florestas. E mais: bastava o preço desse produto "único" cair, para que, a Colônia sofresse um impacto terrível.
A Igreja (jesuítas) do Brasil-colônia combatia a escravização dos índios, chegando a existir conflitos entre padres e latifundiários. Por outro lado, a Igreja nada fez a respeito da escravização dos negros, porque de cada escravo negro vendido no Brasil, a Igreja recebia de imposto 5% do valor da venda. O Estado Absolutista estava ligado à Igreja Católica, significava que o rei tinha autoridade sobre o clero. Os padres das capelas dos engenhos eram submissos aos latifundiários. A colonização do Brasil foi uma ação conjunta: Estado e Igreja.
No Brasil-colônia, a Igreja chegou a ter engenhos de açúcar e possuir escravos.
Em 1585, o papa Gregório XIII decretou que o casamento africano podia ser desfeito, se o marido fosse vendido para um proprietário brasileiro.
BRASIL
CAPITÃO DONATÁRIO
1533 - 1548
O Governo português achava inconveniente aplicar recursos próprios para povoar e desenvolver atividades econômicas no Brasil. Por outro lado, a falta de recursos levou o Governo a entregar a exploração econômica da nova terra a particulares.
A classe média lusitana se entusiasmou com a possibilidade de enriquecer, e aceitou o desafio de explorar o Brasil, que tinha sido dividido em 15 fatias, denominadas Capitanias Hereditárias.
Capitanias Hereditárias:
Maranhão (1º lote) - João de Barros e Aires da Cunha;
Maranhão (2º lote) - Fernando Álvares de Andrade;
Ceará - Antônio Cardoso de Barros;
Rio Grande - João de Barros;
Itamaracá - Pero Lopes de Sousa;
Pernambuco - Duarte Coelho;
Baía de Todos os Santos - Francisco Pereira Coutinho;
Ilhéus - Jorge Figueiredo Correia;
Porto Seguro - Pero de Campos Tourinho;
Espírito Santo - Vasco Fernandes Coutinho;
São Tomé - Pero de Góis;
São Vicente (1º lote) - Martim Afonso de Souza;
São Vicente (2º lote) - Martim Afonso de Souza;
Santana - Pero Lopes de Souza.
Em 17 de dezembro de 1548, foi assinado o documento que estabelecia a criação do Governo Geral do Brasil.
CRONOLOGIA
1533
Com o início da colonização do Brasil, o governo português precisava efetivar a posse da terra. Mas Portugal estava endividado e o comércio com o Oriente estava em decadência (as despesas com a construção de navios e os gastos com a manutenção da tripulação superavam os lucros do comércio). Os lucros do comércio com as Índias Orientais caíam assustadoramente, na medida em que a Europa era abarrotada por Portugal pelas famosas especiarias. O Governo português estava sem recursos para prosseguir com a colonização; devido a isso, confiou a particulares. Nasceu daí, a experiência de dividir o Brasil em 15 fatias, denominadas capitanias hereditárias, onde cada pedaço de terra ficaria com um Capitão - Donatário.
A carta de doação dava ao Donatário a "POSSE" da Capitania, mas não a propriedade. Cada Donatário podia ser dono
de uma faixa de terra e governá-la como bem entendesse. Podia guardar para si uma parte de tudo que a terra produzisse, desde que não deixasse de dar ao Rei a outra parte. Foi uma reforma agrária "à portuguesa" para beneficiar os apadrinhados.
As Capitanias não desenvolveram como fora esperado. Incriminaram os índios (habitantes primitivos), com suas armas arcaicas e obsoletas conseguiram infernizar a vida dos portugueses que, ao contrário, tinham armas modernas e avançadas para a época: canhões, bacamartes e sabres.
A verdade é que as Capitanias não progrediram por falta de "CAPITAL", os Donatários eram pessoas da pequena nobreza, que toparam vir para o Brasil, porque atravessavam crises financeiras.
Direitos dos donatários: Criar vilas e distribuir terras a quem desejasse cultivá-las; exercer autoridade no campo judicial e administrativo (inclusive autorizar a pena de morte); escravizar os índios, obrigando-os ao trabalho da lavoura; receber a vigésima parte dos lucros sobre o comércio do pau-brasil.
Direitos do Rei de Portugal: dez por cento dos lucros sobre todos os produtos da terra; um quinto sobre metais e pedras preciosas que fossem encontrados; e o monopólio da exploração do pau-brasil.
BRASIL
GOVERNOS GERAIS
TOMÉ DE SOUSA - 1549 - 1553
DUARTE DA COSTA - 1553 - 1557
MEM DE SÁ - 1558 - 1572
LUÍS DE BRITO DE ALMEIDA - 1573 - 1578
ANTÔNIO SALEMA - 1574 -1578
LOURENÇO DA VEIGA - 1578 - 1581
Para solucionar problemas das Capitanias Hereditárias, Portugal criou para o Brasil-colônia um Governo Geral. A Capitania da Bahia foi escolhida para ser Sede do Governo, porque oferecia vantagem administrativa: ficava em igual distância entre o norte e o sul. E mais, era fácil resgatá-la, pois seu donatário havia sido morto pelos índios.
Apesar dos poderes do Governo Geral, os donatários continuavam existindo, lógico, com menos comando sobre suas capitanias.
Na busca de aperfeiçoar a administração da Colônia e tendo em vista os lucros do monopólio comercial do açúcar, Portugal cria dois governos gerais: ao Norte, com sede em Salvador, a cargo do conselheiro
Luís de Brito de Almeida; e ao Sul, com sede no Rio de Janeiro, a cargo do desembargador
Antônio de Salema.
Em 1578, Portugal estabelece novamente o governo único: Lourenço da Veiga, que exerceu o cargo até 1581, ano de sua morte.
CRONOLOGIA
1549
Chega ao Brasil, o primeiro Governador-Geral (Tomé de Souza). Na comitiva: funcionários, soldados, jesuítas, muitos degredados (homens expulsos de Portugal por algum crime), pois o que era ruim para Portugal, seria ótimo para o Brasil.
Para sede do Governo-Geral, foi fundada a cidade de Salvador, nossa primeira capital, na Bahia. Todavia, os capitães donatários continuaram existindo, só que com poderes menores, pois a autoridade máxima no país passou a ser a do Governador-Geral, que possuía três principais auxiliares:
Provedor-Mor: que cuidava das finanças;
Ouvidor-Mor: lidava com a justiça;
Capitão-Mor: tratava da defesa militar.
No seu governo, fundou engenhos de açúcar e iniciou o ciclo de mão-de-obra barata no país. O clima e o solo do Brasil eram apropriados para plantar cana-de-açúcar, somado com a mão-de-obra do índio e do negro dariam ótimos lucros.
A mão-de-obra na colonização foi imposta na marra: mataram índios e escravizaram os negros. Atiraram os colonizados à miséria. Afinal, o colonizador só via a terra com o olhar de cobiça e fome insaciável de riquezas.
Iniciamos com uma economia baseada no Feudalismo: os ricos são os donos, os pobres, a mão-de-obra barata, que precisam trabalhar para sobreviver. Mudou alguma coisa a favor da classe trabalhadora?
1550
Com a necessidade de grandes propriedades e mão-de-obra para plantar cana e produzir o açúcar em larga escala para exportar para Portugal, surgiram os latifundiários com sua monocultura. Como a economia dependia de um só produto, a Colônia mostrava-se deficitária, com 17 mil habitantes que produziam apenas o açúcar (180 mil arrobas anuais), produção de seis dezenas de engenhos movidos a água ou boi.
O engenho não era somente o local onde se produzia o açúcar; era, também, as habitações, a capela e os lotes para a lavoura de subsistência. A sociedade que surgiu da economia dos engenhos era rigidamente estratificada, não apresentava mobilização social. Era composta de poucos ricos latifundiários e muitos despossuídos: índios e negros. A vida era basicamente
rural, e as classes dominadas não tinham nenhuma oportunidade de um dia melhorarem de vida, ou adquirirem riquezas.
Apesar das semelhanças entre o latifúndio e o feudo, não se pode estabelecer uma comparação entre ambos, uma vez que a grande característica econômica do Feudalismo é a ausência de qualquer atividade comercial; o latifúndio no ciclo da cana-de-açúcar, ao contrário, foi moldado para atender interesses comerciais, no caso, o mercado exportador de cana. No sistema feudal e no latifúndio, o poder político sempre foi centralizado em quem domina o poder econômico.
Neste ano, o pau-brasil começava a perder seu valor.
1551
Quando Frei Henrique Soares de Coimbra rezou a missa, rendendo graças ao descobrimento da nova terra (26 de abril de 1500), o ato revelava o peso da mentalidade religiosa da época, desenvolvida sobre a influência da Igreja Católica. Mostrava, assim, que o Reino de Portugal tinha o objetivo de difundir a fé cristã. E foi o Rei de Portugal quem solicitou ao Papa, que enviasse ao Brasil um bispo, em nome da Igreja Católica. O pedido foi atendido, com a criação do primeiro "Bispado do Brasil", em 1551, sendo nomeado o bispo
D. Pero Fernandes Sardinha.
1553
O Brasil recebe seu segundo Governador-Geral, Duarte da Costa, com ele vieram alguns jesuítas. Em 1554, fundaram uma escola, onde hoje é a cidade de São Paulo. O Governador se notabilizou porque teve um atrito com o bispo
D. Pero Sardinha. Não sabe se foi por causa do sobrenome, o certo é que o bispo Sardinha foi "banqueteado" pelos índios.
O índio só trabalhava quando estava mesmo disposto. Os portugueses queriam que eles trabalhassem o dia inteiro, arrebentando-se na lavoura, tentando escravizá-los. Não satisfeitos com a produção, partiram a comprar mais escravos.
O atrito dos portugueses com os índios não implicou uma disputa de domínio pelo território, significou, isso sim, um choque entre culturas distintas: o índio produzia para consumir; o português, para acumular e comercializar.
1558
O Brasil tem novo Governador-Geral, Mem de Sá, que expulsou os franceses, mas não conseguiu manter sua autonomia . A Capitania de Pernambuco , grande produtora de
açúcar (base da economia), não queria se sujeitar a certas ordens do Governador. Em algumas localidades, já havia a "Câmara dos Homens bons", espécie de prefeitura e câmara de vereadores local. Para os cargos, só podiam votar e serem votados, os ricos proprietários de terras.
Neste governo, foi morta uma porção de índios que não se sujeitava ao trabalho escravo. Os brancos roubavam as terras, incendiavam aldeias, deitavam com as índias, em troca de um espelho, um pente, ou outra bugiganga qualquer, e ainda chamavam os índios de preguiçosos.
1570
Mem de Sá faz insistentes pedidos ao Rei de Portugal para que enviasse ao Brasil um substituto, pedido este atendido, com o envio de um novo governador para substituí-lo:
D. Luís Vasconcelos. A frota que transportava o novo governador foi atacada por piratas franceses. O Governador e toda a comitiva foram mortos e seus corpos lançados ao mar.
Mem de Sá continuou governador.
1572
O Brasil é dividido em dois governos gerais: Norte, com capital em Salvador , como Governador:
D. Luís de Brito; Sul, com capital no Rio de Janeiro, como Governador:
D. Antônio Salema.
1578
O Brasil volta a ter apenas um governador: Lourenço da Veiga.
UNIÃO IBÉRICA
REI: FELIPE II.
1580 - 1640
D. Sebastião, Rei de Portugal, com sua fantasia de garotão rico, aventurou-se na África para combater os Mouros. Não teve tempo nem de sonhar e os muçulmanos já o tinham matado. Morreu tão jovem que não deixou filhos. Seu tio,
D. Henrique, não podia formar prole: era Cardeal e bem velhinho, morreu também sem deixar herdeiro. O trono português estava vago. Daí, aconteceu a "União Ibérica".
Felipe II., primo dos reis portugueses e rei da Espanha, passou a ser também rei de Portugal.
Alguns portugueses tentaram resistir, entretanto, o impasse foi resolvido na marra. Os exércitos espanhóis invadiram Portugal, iniciando o período denominado
União das Coroas Ibéricas.
Como Portugal passou a ser de domínio espanhol, automaticamente, as colônias portuguesas, como o Brasil, ficaram sobre o domínio da Espanha.
A Espanha não tinha muito interesse econômico pelo Brasil, todavia, Felipe II. precisava impor-se politicamente e, para isso, era necessário o apoio da nobreza portuguesa, para poder legitimar o domínio espanhol sobre Portugal.
Em 1581, foi assinado um acordo entre as duas partes: Portugal mantinha uma certa autonomia, e o Brasil continuaria sendo colonizado pelos portugueses. Esse acordo ficou conhecido por
"Juramento de Tomar".
A principal modificação do Brasil, foi o fato de passarmos a ter dois Estados: Estado do Maranhão
(Grão-Pará, Maranhão e Ceará), com a capital em São Luís; Estado do Brasil, com capital em Salvador.
CRONOLOGIA
1587
O paulista Afonso Sardinha (não tem nada a ver com o bispo que serviu de alimento para os nossos nativos) instala uma fundição na localidade de Sorocaba-SP , que
transformava ferro em: anzóis, facas e outras ferramentas para a agricultura.
PORTUGAL (RESTAURAÇÃO)
EL- REI: D. JOÃO IV
BRASIL- COLÔNIA PORTUGUESA
1640 - 1822
Em 1640, o Duque de Bragança recuperou a Coroa portuguesa, libertando, assim, Portugal do domínio espanhol. O Duque recebeu o título de
D. João IV, e Portugal voltou a ser um reino politicamente independente. Esse episódio ficou conhecido como a
Restauração do trono português. O Brasil volta a ser colônia apenas do domínio português.
CRONOLOGIA
1641
A Capitania de São Vicente tinha um contato muito grande com os espanhóis e com o comércio do Rio da Prata.
Quando acabou a União Ibérica, os paulistas não gostaram e procuraram mostrar seu descontentamento aclamando
Amador Bueno, rei de São Paulo. Amador Bueno não aceitou o título, e para não ser rei dos paulistas, escondeu-se em uma igreja.
1684
A Revolta dos Beckman, no Maranhão, aconteceu por causa do monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão, que obrigava os latifundiários a comprarem, apenas dela, os produtos necessários para o consumo e subsistência da Colônia: bacalhau, azeite, vinho, tecidos e escravos.
A Companhia de Comércio do Estado do Maranhão foi criada em 1682, e tinha como principal finalidade vender até 500 escravos por ano. A Companhia não conseguiu cumprir o acordo.
Os latifundiários do Maranhão precisavam de mais gente nas suas propriedades, e a Companhia não tinha meios suficientes de vender a quantidade de escravos necessários. A solução encontrada foi escravizar os índios, por isso criaram atritos com os jesuítas. Sem a mão-de-obra dos negros e dos índios, os latifundiários alegaram prejuízos. Revoltados, invadiram as instalações da Companhia e, ainda, expulsaram os jesuítas.
Esta revolta foi liderada pelos irmãos Beckman. Portugal reconheceu que os latifundiários tinham razão e
extinguiu a Companhia. Mas para provar que não aceitava contestação, um dos Beckman foi preso e enforcado.
1695
Chega ao fim o maior dos Quilombos da História do Brasil. Milhares de homens armados até com canhões, chefiados por
Domingos Jorge Velho, destroem o pesadelo dos latifundiários opressores:
Palmares.
Macaco, Drambiabanga, Tabocas ... tudo isso era Palmares. Na Serra da Barriga, em Alagoas, formou-se uma sociedade que agregava mais de 20 mil pessoas. Sua economia girava em torno do cultivo do milho, feijão, mandioca, batata e cana. Faziam artesanatos e objetos de ferro.
Em Palmares, a sociedade negra apresentava classes sociais, com tendências de reproduzirem a sociedade de origem: sociedade africana. O igualitarismo havia no sentido de não existir escravos, todavia, possuía um Estado forte e poderoso.
Além do magnífico Zumbi, Palmares teve outro líder: Ganga Zumba, que fez acordo de paz com os brancos: acreditava que classes sociais inimigas podiam conviver harmoniosamente. Mas foi traído pelos latifundiários , que usaram
a trégua temporária para adquirirem forças e destruírem o inimigo.
Os homens chefiados por Domingos Jorge Velho estavam armados até os dentes; mas o que mais contribuiu para a derrota de Palmares, foi a soltura, pelos brancos de prisioneiros negros, vestidos com roupas infectadas de doenças transmissíveis, para que eles espalhassem a peste entre seus companheiros.
Capturaram e mataram Zumbi. Cortaram-lhe a cabeça e espetaram-na num poste em praça pública, na cidade do Recife. O governo queria intimidar os possíveis revoltosos.
No entanto, Zumbi continua vivo, como símbolo de idealismo e liberdade.
1708
A Guerra dos Emboabas deu-se com a notícia de que havia grande quantidade de ouro em Minas Gerais. Mudaram para lá aventureiros e comerciantes, todos buscando lucros fáceis e dispostos a tirarem o ouro dos garimpeiros. A lei que decidia era a do mais forte, e Portugal estava perdendo a autoridade na Região.
Preocupado não com as mortes, mas com o ouro, o Governo português assume o controle da Região e cria a capitania de São Paulo e de Minas de Ouro, separada do Rio de Janeiro. Logo, foram nascendo várias vilas em torno das minerações.
Ilustração: Emboabas era o nome que os índios davam para um pássaro comum na região. Pássaro considerado, pelos nativos, como agourento. Os portugueses, que andavam, em sua maioria, descalços e com as calças arregaçadas à altura dos joelhos, lembravam o referido pássaro que tinha o corpo coberto de penas até a metade das pernas. A semelhança no traje dos portugueses com a plumagem da ave levou os índios a apelidarem-nos pelo nome da ave.
1710
A Guerra dos Mascates, em Pernambuco, estourou porque o açúcar estava com o preço em baixa no mercado. Os latifundiários donos de engenhos pediram dinheiro emprestado aos mascates (apelido dos comerciantes), endividados, viram-se sujeitos a hipotecarem seus engenhos para saldarem as dívidas.
Os latifundiários que controlavam a Câmara Municipal de Olinda (Câmara dos homens bons) não aceitaram a sujeição, e o conflito gerou agressões de ambas as partes. O Governo interveio, ficando do lado dos comerciantes. Recife (onde vivia os comerciantes) tornou-se vila independente, com direito a ter sua Câmara Municipal.
1720
As casas de fundição era um dos lugares preferido por aqueles que desejavam praticar corrupções. Garimpeiros assustados e liderados por
Felipe dos Santos, em Vila Rica (atual Ouro Preto), queriam que a administração colonial acabasse com as fundições.
O governador, Conde de Assumar, concordou com as reivindicações e pediu tempo para concretizar o pedido. Tempo esse que foi suficiente para ele planejar o ataque e executar
Felipe dos Santos.
Seu corpo foi despedaçado, para criar um clima de punição.
1740
Ano do apogeu do Ciclo do Ouro. A produção nacional de açúcar cresce vertiginosamente. Brotam as primeiras plantações de algodão e surgem as tecelagens que fabricam roupas para os escravos. Naquele tempo, gente fina já era outra coisa. O ouro já era dividido em partes desiguais, ou seja, grande quantidade era contrabandeada, boa parte saía para Portugal, para ser lapidado (cortado e polido) e entregue a Coroa. O que sobrava era trabalhado e consumido no país.
1763
A cidade do Rio de Janeiro, fundada por Estácio de Sá, torna-se a nova capital do país. Em consequência disso, os baianos descontentes começaram a conspirar. Entre os rebeldes, havia muitos artesãos que viviam do seu próprio trabalho e que eram os mais prejudicados. Exemplo: os alfaiates ficaram com menos trabalho, depois dos ricos funcionários do governo terem ido para o Rio de Janeiro. Provocando, assim, uma revolta que se chamou Conjuração Baiana, porém ficou mais conhecida como Revolta dos Alfaiates, que teve a maior movimentação no ano de 1798.
1776
Um golpe sujo: é proibido a fundição de ferro e a lapidação do ouro. A desculpa não podia ser mais ridícula: faltavam braços para a lavoura.
1785
Os ingleses são os novos senhores do mundo. Dona Maria I , proíbe a existência de fábricas no Brasil. O destino da Colônia estava selado: produziria apenas açúcar e ouro. As
manufaturas viriam com a etiqueta "MADE IN ENGLAND"; porém, apenas através de Portugal. Ninguém podia comercializar quaisquer produtos diretamente com a Colônia. O Brasil volta a ser agroexportador. Essa proibição provocaria efeitos nefastos na formação econômica do Brasil, quando nos tornamos independentes, continuamos agroexportadores e dependentes do capital internacional, sem nenhuma estrutura industrial.
1792
O ouro em Minas Gerais vinha se esgotando. O Governo português não aceitava essa realidade, e atribuía a queda de produção ao contrabando. Portugal continuava exigindo mais imposto.
Efetivamente, os mineradores não tinham condições de pagar. Os impostos foram atrasando, com isso veio a ordem da Coroa para proceder à
Derrama, uma cobrança forçada e geral de todos os impostos atrasados.
Estimulados pelos ideais do Iluminismo , que pregava o fim da tirania dos governantes e a liberdade social, influentes membros da sociedade de Minas Gerais (elite cultural e econômica) planejaram uma ação contra as autoridades portuguesas.
A Inconfidência Mineira tinha ideais de liberdade e interesses econômicos, a prova está em que a maioria dos conspiradores defendiam a continuação da escravidão dos negros.
Somente Tiradentes, o mais humilde entre os implicados, recebeu a condenação à morte, e pedaços do seu corpo foram exibidos à população, para amedrontar quem pensasse em independência. Hoje, usa-se outra metodologia.
1797
Em cada canto de Salvador, falava-se mal do governo e dos portugueses. No sábado de aleluia, ocorreram grandes desordens, populares chegaram a saquear a carne mandada para o quartel do general, comandante da cidade.
1798
O Pelourinho , símbolo da autoridade portuguesa, foi derrubado e queimado.
1808
O Rio de Janeiro , agora , não é só a Capital do Brasil; mas , também , provisoriamente, Capital de todo o Império Português.
D. João VI chega , fugindo das tropas de Napoleão. Uma das primeiras providências foi anistiar a indústria da
Colônia, que passava a ter o direito de existir, e até ganhou os primeiros incentivos e créditos.
1810
O namoro de D. João VI com a indústria da Colônia durou pouco. Os ingleses exigem liberdade de comércio e exportam para cá o que desejam, sem limites e com taxas menores que os produtos portugueses. A sacanagem neste país já vem de longe, nem os portugueses, que na época eram donos absolutos desta terra, conseguiam mandar.
1817
No Brasil Colonial, o Nordeste era a região mais rica; Bahia e Pernambuco, as colonizações bem-sucedidas. A Colônia tinha sua economia alicerçada na exportação. Pernambuco, exportador de açúcar (principal produto) e algodão.
Surgido da necessidade de independência, latifundiários, lojas maçônicas, comerciantes e intelectuais pernambucanos conspiram contra o controle e monopólio metropolitano (português). O fato da Igreja ser subordinada ao Estado português importunava o Clero brasileiro, e muitos padres passaram a participar do movimento.
Civis foram capturados, o Capitão José Barros Lima, indignado, enfiou a espada em um general; um tenente-coronel quis intervir e foi morto pelos soldados. As igrejas tocaram os sinos, e a multidão armada foi tomando as ruas. Prisões foram invadidas e os presos libertados. O Governador se rendeu.
Durante dez semanas, Pernambuco foi um país independente. Todavia, o movimento era liderado pelos latifundiários, que procuraram restringir a participação popular. Veio a repressão da Bahia e do Rio de Janeiro. Os latifundiários saíram do movimento deixando o povo sozinho. O Governo matou, prendeu e enforcou. A Insurreição Pernambucana
chegava ao fim.
Como os outros movimentos políticos, anteriormente, ocorridos no Brasil, este também tinha, como principais articuladores, elementos que , de uma forma ou de outra , eram oriundos da classe dominante, mas estavam à margem do poder político. Desejosos de uma maior participação política, usavam as classes populares como massa de manobra, mas quando estas reivindicavam maior participação, abandonavam o movimento, já que não desejavam mudanças profundas no modelo político até então em vigor.
|