|
BRASIL 500 ANOS - SUA HISTÓRIA
É UM CONTO POPULAR
CAPÍTULO 9
BRASIL QUARTA REPÚBLICA
1945 - 1964
O PODER DOS INDUSTRIAIS
( BURGUESIA INDUSTRIAL)
O Governo de Dutra ( 1946 - 1951 ) foi repressor contra o movimento operário. Interveio em mais de 400 sindicatos e acabou com a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil - CGTB. Foi um período em que a burguesia desperdiçou fortunas importando artigos de luxo, como: automóveis, perfumes e aparelhos de TV ( embora a TV Tupi só começasse a funcionar em 1950).
Apesar de a Constituição de 1946 estabelecer a separação dos Três Poderes e maior autonomia estadual e municipal, não avançou no que se refere à legislação trabalhista, os sindicatos continuaram subordinados ao Estado, sobrevivendo do imposto sindical, cobrado desde o Estado Novo, e entregue nas mãos de pelegos.
Foi no governo Dutra que começou a guerra fria entre EUA e URSS. A imprensa brasileira (com o apoio do Governo) inclinava para os EUA. Só falavam dos horrores do Comunismo, era a defesa da América contra a agressão vermelha. Seguindo esse clima, o PCB foi caçado em 1947, partindo para a clandestinidade . E o Brasil rompeu relações diplomáticas com a URSS.
As eleições de 1950 trouxeram de volta Getúlio Vargas. Ele era o mesmo , mas os tempos eram outros: não havia ditadura, e as greves estouravam no País. Veja números de grevistas:
1951 .............................................. 400.000
1952 .............................................. 410.000
1953 .............................................. 800.000
1954 .............................................. 1.200.000
O Movimento Operário, aos poucos, ia conquistando autonomia. Em 1953 , houve a greve dos 300 mil, em São Paulo, que, apesar da repressão policial, saiu vitoriosa.
Com a morte de Getúlio, assume o Vice Café Filho, que pertencia ao PSD, mas tinha a UDN com maioria nos ministérios. O ministro Eugênio Gudin, junto com Otávio Gouveia de Bulhões , ligados aos interesses estrangeiros, criaram a Instrução 113 da Sumoc, que dava às empresas estrangeiras, aqui instaladas, mais facilidades de importar.
As eleições de 1955 foram vencidas por Juscelino Kubitschek, que tinha João Goulart como Vice. A UDN esperneou e disse que a eleição era ilegal . Falaram em golpe. Café Filho misteriosamente adoece e assume a Presidência Carlos Luz. O Golpe só não foi consumado graças ao Ministro da Guerra, Marechal Lott, que evitou a tramóia.
Empossado na Presidência , Jânio Quadros ( 1961) fez um curto e estranho governo: proibiu, em todo o território nacional, as brigas de galos e, apesar de ser antiesquerdista , condecorou solenemente um dos líderes da Revolução Cubana, o guerrilheiro comunista Ernesto Che Guevara . Ato que irritou os EUA e enraiveceu a UDN .
Com a renúncia de Jânio, assume o Vice João Goulart (Jango) que tinha sido eleito em outra chapa. Novamente a UDN esperneou e espumou de raiva. Os setores mais reacionários tentavam a todo custo criar impasse para o Governo João Goulart, criaram até Primeiro Ministro: Tancredo Neves, Brochado da Rocha e Hermes Lima.
No dia 31 de março de 1964, duas semanas depois de o Presidente João Goulart ter anunciado as Reformas de Base, num comício da Central do Brasil (RJ), o golpe foi dado . Nesse mesmo dia, forças da Marinha de Guerra dos EUA passeavam em nossa Costa . Coincidência ?!
PRESIDENTES DO BRASIL
REDEMOCRATIZAÇÃO
1946 - 1951
GENERAL DUTRA
A ditadura do Estado Novo, instaurada em 1937, já não tinha base em que se apoiar. As oposições se aglutinavam e pediam a redemocratização do País.
Deposto Getúlio Vargas, o País foi governado por José Linhares , Ministro do Supremo Tribunal Federal , pois a Constituição de 1937 não permitia a existência do cargo de Vice - Presidente da República.
Em dezembro de 1945, foi eleito Eurico Gaspar Dutra , juntamente com os Deputados e Senadores que elaboraram a Constituição de 1946.
Constituição de 1946:
- O Brasil continua sendo uma República Federativa, Presidencialista e Democrática;
- O Presidente passou a ter o mandato de cinco anos;
- Tornaram-se independentes os poderes : Executivo, Legislativo e Judiciário;
- O voto continuou sendo universal e secreto;
- Os analfabetos , os soldados e os cabos continuaram excluídos do direito ao voto;
- Os mandatos de Deputados ficaram de quatro anos e de Senadores, oito anos.
CRONOLOGIA
1946
A população brasileira é de 47.100.000 pessoas. O êxodo rural já é um problema nacional.
Nos dois primeiros meses do ano, registram-se mais de 60 greves no País.
São apresentadas denúncias contra o Partido Comunista Brasileiro - PCB, e pedido a cassação do seu registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Acusação: o PCB tem caráter antidemocrático.
Decreto Presidencial proíbe o jogo no Brasil. Cassinos em todo o País são fechados. E um Decreto-lei cria o Serviço Social da Industria - SESI.
O Brasil tem uma nova Constituição ( quarta da República e a quinta da História brasileira ) , estabelecendo a separação dos três poderes e maior autonomia estadual e municipal. Ela deu ao Congresso o poder de criar comissões parlamentares de inquérito ( CPIs). O mandato presidencial passa a ser de cinco anos. Na área social, a legislação trabalhista não tem nenhum avanço.
Neste mesmo ano, é fundada a Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil - CGTB.
1947
Populares depredam veículos de transportes coletivos em São Paulo. Motivo do protesto: alto custo de vida e aumento das passagens. Ferroviários da Sorocabana, com o apoio de outras categorias, totalizando 20.000 trabalhadores, entram em greve por melhores salários.
O Tribunal Superior Eleitoral caça o registro do PCB e extingue o mandato de seus parlamentares. Fechado e proibido, o partido cai na clandestinidade.
Guerra à inflação, declara Eurico Gaspar Dutra. Mas a inflação não se rende, e as reservas cambiais caem de US$ 708 milhões para US$ 92 milhões.
Nasce, no Paraná, a primeira fábrica de papel e celulose do País.
1948
O Brasil ingressa na Organização dos Estados Americanos - OEA.
É fixada pelo FMI: US$ 1,00 vale CR$ 18,50. Comissão Mista Brasil - EUA, traça um programa de desenvolvimento para o País. E o BIRD concede empréstimo de 75 milhões de dólares para o Brasil.
As reservas de ouro no País é de 281.569.564.200 kg. Em 1946, quando Dutra assumiu o governo, era de 322.505.472.144 kg.
1949
Começa a ser idealizada por Joaquim Monteiro de Carvalho, Olavo Egydio de Sousa Aranha e Friedrich Wilhem Schultzwenck, representante da Volkswagen na América Latina, a instalação de uma fábrica no Brasil para produzir Kombis e Fuscas.
A Igreja lança a campanha da Legião da Decência: moralizar os costumes e fortalecer a família.
1950
População brasileira: 18.782.891 (37%) pessoas moram nas cidades e 33.161.506 (63%) moram no campo.
Agora existem, no País, 83.954 fábricas , isto é, 86.4% a mais do que na década de 40.
Agosto ( dia 5): É publicado no jornal Voz Operária, órgão oficial do clandestino PCB, o documento do Comitê Central intitulado: "Manifesto de Agosto". Luís Carlos Prestes, secretário geral do partido, conclama à criação do Exército Popular de Libertação Nacional.
Getúlio Vargas volta a Presidência nos braços do povo. Resultado das eleições: Getúlio Vargas ( PTB), 48.7 dos votos válidos ; Eduardo Gomes (UDN), 29.7 e Cristiano Machado ( PSD), 21.5 .
PRESIDENTES DO BRASIL
O RETORNO DO VELHO POLÍTICO
1951 - 1954
GETÚLIO VARGAS
O Brasil volta a ser queremista: Queremos Getúlio. Com ele, a esperança de que se possa resolver os graves problema da Nação: desemprego, inflação, alto custo de vida, ensino , saúde e moradia. O retorno de Getúlio acende a confiança dos nacionalistas, abalada no Governo Dutra. Vargas, como sempre, aproveita o clima e prega o Nacionalismo.
As medidas nacionalistas do Governo incomodavam a oposição , os empresários e a classe média, que apoiados por interesses externos, visavam a deposição de Getúlio.
As pressões foram fortes e levaram Getúlio Vargas a optar pela morte. Em 24 de agosto de 1954, Getúlio suicidou-se com um tiro no coração. Seu mandato terminou em 1955.
CRONOLOGIA
1951
Getúlio Vargas volta ao Governo. Os industriais sobem com ele as escadarias do Catete .
Maio ( dia 1): Getúlio Vargas discursa no Estádio do Vasco da Gama - RJ, incentivando a classe operária a se organizar em sindicatos.
1952
Jipes , tratores, caminhões e automóveis. Os veículos chegam desmontados e são montados aqui. Peças que fossem produzidas no País não podiam ser importadas. Veja quais: pneus, baterias , espelhos e estofamentos .
Getúlio Vargas se recusa a mandar tropas para a Coréia, perdendo, com isso, o financiamento de US$500 milhões dos Estados Unidos, para construir ferrovias e hidroelétricas. O Governo aproveita o clima favorável e prega o Nacionalismo, criando, então , o BNDE ( hoje com o S) para financiar a indústria nacional.
É enviado ao Congresso Nacional projeto de lei que dispõe sobre a instituição do salário adicional para os que trabalham em condições de perigo e insalubridade.
1953
No PIB, o retrato do Brasil. A agricultura , que na década de 40 representava 54% , cai para 29%. Comparando o mesmo período , a indústria salta de 17% para 24%.
A Lei n.º 2.004 institui a Petrobrás e o monopólio estatal do petróleo (O petróleo é nosso ?).
Jânio Quadros é eleito prefeito de São Paulo.
A Capital paulista vê a eclosão da maior e mais importante greve do período Vargas.
1954
Golbery de Couto e Silva ( mais tarde um dos idealizadores do Golpe de 64) redige o Manifesto dos Coronéis, advertindo seriamente o Presidente da República.
O Ministro do Trabalho, João Goulart (que o povão chamava de Jango), dar um aumento de 100% ao salário mínimo. Os conservadores, com o apoio da imprensa, taxaram essa decisão governamental de demagoga e inflacionária ( essa fábula de que salário gera inflação é velha, mas não morre de caduca ).
Um atentado, na rua Toneleiros , em Copacabana , Rio de janeiro: Um segurança de Getúlio contra o jornalista Carlos Lacerda ( pior inimigo de Getúlio, usava todos os recursos, inclusive calúnias e baixarias. O jornalista e político udenista batia impiedosamente no Presidente). No atentado, morre o Major da Aeronáutica, Rubens Florentino Vaz, e Lacerda levou apenas um tiro no pé.
O Governo de Vargas entrou num turbilhão de dificuldades: o rompimento com os liberais, com empresas estrangeiras e com os Estados Unidos, as pressões internas e externas , a exigência da renúncia incondicional ( apesar do seu Ministro da Justiça, Tancredo Neves, estimular a resistência). Getúlio Dorneles Vargas executou seu último ato: um tiro de revólver no coração. Suicidou-se.
Carta-testamento:
De Getúlio Vargas,
24 de agosto de 1954
" Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim.
Não me acusam, insultam, não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa . Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais . Fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea do grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar , a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.
Assumi o governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.
Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante , incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém , querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota do meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.
Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei conta a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e
saio da vida para entrar na história".
PRESIDENTES DO BRASIL
GOVERNO DE TRANSIÇÃO
1954 - 1955
CAFÉ FILHO
CARLOS LUZ
NEREU RAMOS
O País vive conturbado, existe agitação política por todos os lados. Com a morte de Getúlio, assume o vice- presidente Café Filho 24.08.1954. Pressionado pelos setores econômicos e sociais que derrubaram Getúlio , Café Filho misteriosamente adoece e é substituído pelo presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, em 09.11.1955.
As eleições de 03 de outubro de 1955 deram a vitória a Juscelino Kubitschek ( PSD - PTB ). Porém, quando Carlos Luz assumiu o Governo, em novembro de 1955, pretendia impedir a posse do presidente eleito. Graças a um movimento liderado pelo o ministro da guerra Henrique Teixeira Lott. Carlos Luz foi deposto.
Com a saída de Carlos Luz, assume a Presidência da República o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos, que governou em " Estado de Sítio" até a posse do novo presidente eleito, em 31.01.1956.
CRONOLOGIA
1955
O conservador e agrarista Eugênio Gudin dispara um tiro certeiro contra a industrialização: Instrução n.º 113 da Superintendência da Moeda e do Crédito - SUMOC . O Brasil abre as portas para as importações.
Café Filho sanciona a Lei n.º 2.550 ( Lei Eleitoral), instituindo a cédula única (25 de junho). Em 16 de setembro, Carlos Lacerda faz a leitura ( na televisão) da Carta Brandi, documento falso, destinado a incriminar João Goulart (candidato à vice-presidência na chapa de Juscelino) e impedir a realização das eleições.
Carta Brandi :
Em 16 de setembro de 1955, Carlos Lacerda divulgou com estardalhaço uma carta escrita por um ex-deputado argentino, Antônio Brandi, em 1953, ao então Ministro do Trabalho, João Goulart. A carta fazia referência a armas compradas por Goulart na província argentina de Córdoba. Aludia também que Goulart estava organizando uma brigada de choque operária. A carta era falsa.
O Brasil tem novo Presidente. Resultado das eleições:
Juscelino Kubitschek ( PSD - PTB): 36% dos votos, Juarez Távora ( UDN): 30% e Ademar de Barros ( PSP ): 26%.
PRESIDENTES DO BRASIL
SLOGAN DE JK: 50 ANOS EM 5
1955 - 1961
JUSCELINO KUBITSCHEK
Juscelino governou com a teoria de que o Brasil era um País subdesenvolvido, que devia trilhar o caminho da industrialização . Nós estávamos atrasados na corrida pelo desenvolvimento, e, para compensar o atraso, seria preciso acelerar, industrializar-se o mais rápido possível.
As teorias desenvolvimentistas do Governo de JK, tiveram erros básicos e evidentes. Nossos caminhos tinham uma economia subordinada, o País permanecia com uma péssima distribuição de renda e havia a desassistência social.
As multinacionais passaram a ser recebidas sem restrições, como se elas fossem promover o progresso do Brasil. Não importava como. Precisava-se crescer 50 anos em 5.
A euforia desenvolvimentista tomou conta do País e gerou, a partir de 1958, uma crise econômica, decorrente do endividamento externo e de uma corrida inflacionária, herdada pelos governos seguintes.
CRONOLOGIA
1956
Juscelino Kubitschek assume a Presidência do País, com ele , a indústria reconquista o terreno perdido. No seu Governo, são distribuídos incentivos e privilégios para as multinacionais.
1957
A " Kombi " ( da Volkswagen ) é considerada o primeiro carro produzido no Brasil. Porém, metade das suas peças era alemã .
Os metalúrgicos do Rio fazem greve geral durante oito horas.
Em São Paulo, greve geral: trabalhadores reivindicam 25% de aumento.
1958
O Brasil esquece seus problemas. Somos pela primeira vez campeões do mundo no futebol.
" A taça do mundo é nossa !
Com brasileiro, não há quem possa !
Eeeta, esquadrão de ouro
. . . é bom no couro . . . "
Seca no Nordeste. É promulgada a Lei do socorro aos flagelados.
1959
O Brasil rompe com o FMI . Juscelino nega-se a aplicar um choque ortodoxo para combater a inflação.
O Nordeste ganha a Sudene, órgão criado para tirar a Região do subdesenvolvimento ( um sonho nunca concretizado).
Roda pelas estradas do Brasil , o primeiro Fusca (da Volkswagen), carro produzido na linha de montagem de São Bernardo - SP.
1960
O Brasil tem uma nova capital : Brasília.
O Brasil reinicia acordo com o FMI, que concede um empréstimo de 47.700.000 de dólares ao Brasil.
Greve da paridade: reivindicando paridade com os salários dos militares, os setores de transportes marítimos e ferroviários. O Congresso aprova em 23 de novembro a Lei da Paridade.
PRESIDENTES DO BRASIL
JANISMO, CURTA ILUSÃO
1961
JÂNIO QUADROS
O Brasil parecia despacho de macumba, estava na encruzilhada. Jânio representava para o povão uma esperança de melhoria de vida: emprego, comida na mesa, saúde e escola para os filhos. Esta vasta esperança durou de 31.01.1961 a 25.08.1961. Depois, apenas decepção.
Jânio era conservador e autoritário ( bom para a classe dominante); com sua impecável gramática, dizia: "Vou dar uma vassourada na corrupção e na imoralidade" (bom para a classe média) ; Tinha caspa , comia sanduíche e embora sustentado pelas forças políticas direitistas, dizia : " Não sou ligado a nenhum partido". E prometia um Brasil novo ( bom para o povão).
Venceu fácil as eleições. Empossado na Presidência, fez um curto e estranho Governo.
Jânio Quadros :
Em 1947, encorajado por seus alunos ( Colégio Dante Alighieri ), Jânio Quadros (professor de Português e bacharel de Direito ) candidatara-se a vereador pelo Partido Democrata Cristão. Em 1950, já era deputado estadual ( os bairros da periferia viraram reduto janista ). Em 1953, poucos dias antes da greve geral, conhecida como Greve dos 300.000, a massa urbana paulista o elegeu para prefeito de São Paulo, com o dobro de votos de cada um dos dois adversários. Em 1954, foi eleito governador de São Paulo, e tomou posse fazendo uma declaração de bens ( como ele mesmo disse: " Patrimônio de um honesto professor" ). E não aceitou um automóvel oferecido por uma fábrica sueca , alegando falta de dinheiro para retirá-lo da alfândega.
Em 31 de janeiro de 1961, tomou posse da Presidência da República. O homem do " tostão contra o milhão" e da " vassoura " chegava ao topo da escalada, que o conduziria da Vila Maria ao Palácio da Alvorada.
CRONOLOGIA
1961
Jânio Quadros ( UDN ) é eleito Presidente da República com 5.636.623 votos ( 48% do total), contra apenas 3.846.825 votos de Lott ( PTB ) e 2.195.709 votos de Ademar
de Barros ( PSP). Com apenas sete meses de Governo, Jânio renunciou à Presidência. Qual a explicação ? Ele nunca nos deu. Segundo Afonso Arinos , " Jânio foi a UDN de porre".
Agosto ( dia 19): Jânio Quadros condecora com "Grã - Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul" o Ministro da Industria e Comércio de Cuba: Che Guevara.
Agosto ( dia 25): Jânio Quadros renuncia.
Agosto ( dia 27): Brizola , Governador do Rio Grande do Sul, declara que se for preciso, usará bala para garantir a posse do vice João Goulart. Em resposta, no dia 28 de agosto, o Ministro da Guerra dar ordens para o Gen. Machado Lopes, comandante do III Exército, depor Leonel Brizola. O General recusou a cumprir a ordem.
Os Ministros Militares - Gen. Odílio Denys, Alm. Silvio Heck e Brig. Gabriel Grun Moss - eram contra a posse de João Goulart. Os militares eram contra a posse , mas o povão fazia manifestações em todo o País em defesa da posse de João Goulart.
Belo Horizonte-MG, novembro: 1.600 delegados realizam o Congresso Camponês. É lançada a Campanha Nacional pela Reforma Agrária.
PRESIDENTES DO BRASIL
O REFORMISTA
1961 - 1964
JOÃO GOULART
Com a renúncia de Jânio , assume a Presidência, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli ( em virtude do vice-presidente João Goulart não estar no País). Muitos militares achavam que sua volta seria uma ameaça ao País. Vejamos os motivos: quando João Goulart fora Ministro do Trabalho, no Governo de Getúlio Vargas, fizera uma proposta de dobrar o salário mínimo, e Getúlio aceitou; em consequência disso, os militares exigiram a demissão de Goulart. Nas eleições de 1955, vencidas por Juscelino Kubitschek (o vice eleito foi João Goulart), nesse tempo houve o boato de que Juscelino não tomaria posse, porque teria recebido votos dos comunistas.
Em 7 de setembro ( dia em que se comemora a Independência do Brasil ) , toma posse o governo democrático de João Goulart, mas sem a liberdade de governar, pois os militares exigiram que o Governo fosse chefiado por um Primeiro Ministro nomeado pelo Congresso ( Tancredo Neves). Mesmo com menos poderes, Goulart consegue ser popular, a prova está em que, dois anos depois de sua posse, foi feito um plebiscito ( consulta ao povo) para saber se João Goulart deveria receber de volta os poderes de Presidente:
em cada seis votos apurados, cinco era a favor de João Goulart ( Jango).
O Brasil comemorava 139 anos de vida independente, quando João Goulart prestou juramento como Presidente da República. Para Goulart, governar significou um complicado malabarismo político. Diante de cada iniciativa do Governo, desejoso e comprometido com uma política de reformas na estrutura econômica e social, deparava com a oposição conservadora, que se negava em aceitar mudanças.
João Goulart dizia: " No dia em que nós tivermos cinco, dez milhões de proprietários rurais, a propriedade estará muito mais defendida". Mas o poder de Goulart era restrito. O País tinha um presidente de mãos atadas.
No Governo Goulart, velhas oligarquias procuraram unir suas forças, esquecendo passadas desavenças, para evitarem um Governo de Esquerda. A elite conservadora, o político oligárquico, o militar com o apoio da Igreja Católica deram ao País um desenlace inevitável: repressão, torturas . . . As mesmas vozes que vagueavam com gritos cívicos, calaram com o silêncio do regime.
CRONOLOGIA
1962
É criado o Comando Geral dos Trabalhadores - CGT. A CGT faz manifestações nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo. A classe operária brasileira faz greve geral, para pressionar o Congresso a aprovar a Lei do 13º salário.
O PC do B separa-se do PCB.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria convoca greve geral, exigindo a formação de um ministério nacionalista e democrático. Conquista desta greve: Lei do 13º salário.
Greve geral: o País pede a antecipação do plebiscito sobre o Parlamentarismo. O Congresso fixa a data para 6 de janeiro de 1963.
1963
Derrota do Parlamentarismo no plebiscito, que deu esmagadora vitória ao Presidencialismo. João Goulart passou a ter plenos poderes. Pouco pôde fazer, meses depois, foi derrubado pelo Movimento Militar de 1964 .
O Brasil volta ao presidencialismo: de 12.773.260 votos, quase 10 milhões foram a favor do Sistema Presidencialista. Isto é, o povão queria João Goulart na Presidência.
Em Brasília, levante de sargentos da Marinha e da Aeronáutica; e em São Paulo, 700.000 operários fazem greve por aumento salarial.
Outros fatos que marcaram o ano: rejeição do Estatuto da Terra, pela Câmara dos Deputados; Greve nacional dos bancários; no Recife, 300.000 camponeses são reprimidos pelo IV Exército.
1964
Grande comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, a favor das Reformas de Base.
Os empresários ( indústria, bancos e comércio) fazem manifestação contra a agitação política.
Centenas de marinheiros e fuzileiros navais realizam, no Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro , uma manifestação não autorizada contra o Almirantado por causa da prisão de líderes de sua associação.
Nas ruas do Brasil, a guerra psicológica era sem escrúpulos: na imprensa, os jornais O Globo e o Estado de São Paulo atacavam impiedosamente o Governo . Madames,
freiras , padres e a burguesia iam espalhando que com Jango os comunistas iam tomar tudo dos pobres, inclusive os filhos. Mulheres e crianças seriam devoradas pelos bolcheviques ( Marchas da Família com Deus pela Liberdade ).
Em Minas Gerais, começa a mobilização militar que derruba o Governo Goulart. O General Castelo Branco, chefe do Estado Maior do Exército, aceita sua indicação pelo Congresso para a Presidência da República.
Para o operário brasileiro, é o início de duas décadas de arrocho salarial e violenta repressão ao sindicalismo.
|