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BRASIL 500 ANOS - SUA HISTÓRIA  É UM CONTO POPULAR

UNIDADE - 1
O PODER DOS LATIFUNDIÁRIOS
(SENHOR DE ENGENHO)
1500 - 1889

               No início do domínio de Portugal sobre o Brasil, o Poder Político era privilégio da Metrópole. A economia era limitadíssima. A exportação resumia-se na exploração do pau-brasil, monopólio real. O mercado interno era restrito. Índio não recebia dinheiro por seu trabalho (cortava o pau-brasil e levava para os navios), em conseqüência disso, ele não comprava nada. Havia escambo, apenas, onde os nativos recebiam bugigangas.
               A colonização convergiu para a monocultura exportadora do açúcar. Surgem os primeiros engenhos, a economia açucareira e a necessidade de grande faixa de terra para o plantio da cana. As somas desses fatores foram responsáveis pelo aparecimento dos latifundiários e seu poder ilimitado. Ele era a fonte produtora de riqueza, e precisava de poder político para administrar uma grande área de terra. O engenho passou a ser o centro de vida social e econômica.
               Cada tipo de sociedade tem seu modo próprio de ser nas instituições sociais, na produção econômica e nas relações com o poder. O ouro teve seu ciclo de produção e riqueza, encaminhou o desenvolvimento urbano e a sobrevivência de outras atividades, como artesãos, alfaiates, sapateiros, ferreiros, fazedores de sabão, etc. O Ciclo do Ouro criou, na nossa sociedade escravocrata, uma incipiente classe média. Essas pessoas foram morar em cidades; enquanto, no engenho, a sociedade continuava rural.
               O Rio de Janeiro tornou-se a capital da Colônia em 1763, porque crescia com o comércio e a navegação. Seu posto era a entrada de mercadoria e a saída do ouro. Minas Gerais produzia ouro e consumia mercadoria, enquanto o Rio de Janeiro comercializava. De 1741 a 1760, a produção aurífera, no Brasil, foi de 14.600 Kg, oficialmente. Fora o contrabandeado, estimado em 15 toneladas, entre 1750 a 1755. 
               O ouro produziu riqueza e desenvolvimento, mas a sociedade mineradora não adquiriu poder político. Como o poder político era oriundo do poder econômico, a estagnação da sociedade mineradora se explica pelo desvio de sua produção aurífera para a Metrópole. Daí a sua atrofia com o fim do Ciclo do Ouro. A Metrópole e os latifundiários do Sudeste (Cafeicultores) aumentaram suas fortunas e fortaleceram o poder político.
               Os latifundiários manobravam um processo de independência para o País: autonomia econômica e política. Enquanto que os direitos sociais permaneciam sem ruptura. O Estado precisava ser forte para esmagar a oposição, e governá-lo em favor deles: os aristocratas.
               As classes oprimidas praticavam uma política subterrânea; porém, jamais apática, sempre lutaram contra as classes opressoras. Os Quilombos contestavam uma ordem social baseada no trabalho escravo, inconscientemente faziam movimentos políticos.
               A Independência do Brasil foi feita em silêncio para não acordar o povo, e o poder continuar com os latifundiários.