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BRASIL 500 ANOS - SUA HISTÓRIA
É UM CONTO POPULAR
UNIDADE - 4
O PODER DOS MILITARES
(FORÇAS ARMADAS )
1964 - 1984
As Reformas de Base do Presidente João Goulart exigiam uma mudança na estrutura do País. Significava tocar nos privilégios das pessoas poderosas. Por isso é um erro achar que o regime autoritário implantado em 1964, o poder político, ficou apenas nas mãos dos militares. Muitos se sentiram prejudicados pela organização popular e pelas Reformas de Base: multinacionais, empresários , latifundiários, os EUA e a Igreja.
Os militares foram os executores; a burguesia, a grande beneficiada. O País ficou livre para o capitalismo selvagem. A Revolução de 1964 não foi uma revolução. O Brasil continuou capitalista, e a burguesia continuou com os mesmos privilégios que havia antes. A prova está em que parte dos ministérios e cargos do governo estavam nas mãos dos civis .
Os políticos que não concordaram com o Golpe tiveram seus mandatos caçados. Comunistas eram perseguidos, torturados e mortos como ratos. A Arena era, tristemente, o partido da ditadura , formado por políticos que vinham da UDN, do PSD e do
PSP. O MDB, sob a liderança importantíssima de Ulysses Guimarães, fazia a oposição limitada pelo regime autoritário, e era formado por alguns políticos do PSD e do PTB, como também por gente nova , que anteriormente não fazia parte de partidos políticos.
O auge do movimento guerrilheiro no Brasil foi do período de 1969 a 1974, em que parte da esquerda brasileira rejeita o sistema político-econômico em vigor, e intensifica a luta clandestina e armada contra a ditadura. Esse período foi uma das faces mais negras do Regime Militar: Operação Bandeirantes ( OBAN ), DOI-CODI, Serviços de Informações das Forças Armadas ( CENIMAR, CISA, CIEX ), do DOPS e do SNI. O Governo exterminava a guerrilha, com brutalidade.
Enquanto o Presidente Médici aparecia na TV chutando a bola e o povo na rua cantando " Ninguém Segura Este País ", os torturadores chutavam presos. Queimaduras de cigarros, choques elétricos, alicates arrancando carne, banhos de ácido, eram corriqueiros. Mulheres foram estupradas na frente dos filhos, homens foram castrados. Devido aos maus-tratos, alguns prisioneiros morriam, o caixão era lacrado e o laudo oficial dizia: morte ocorrida em tiroteio com a polícia. Outros tinham seus corpos escondidos e, até hoje, estão desaparecidos.
Vários grupos de guerrilhas surgiram no Brasil:
- Vanguarda Popular Revolucionária - VPR
- Movimento Revolucionário Oito de Outubro -MR- 8
- Aliança Libertadora Nacional - ALN
- Ação Popular - AP
- Partido Comunista Brasileiro Revolucionário - PCBR
- Partido Operário Camponês - POC
- VAR - Palmares
- Partidos : PCB e PC do B.
Todos com diferentes estratégias e objetivos, embora todos visassem ao Socialismo. Uns achavam que era preciso primeiro derrubar a ditadura; outros achavam que era possível lutar pelo Socialismo com a ditadura existindo; uns pensavam que a guerrilha urbana era mais importante do que a rural.
As ações, como assaltos a bancos, para obter dinheiro para a luta, e sequestros de embaixadores para libertar companheiros presos, não deram tão certo como a guerrilha do PC do B, na região do Araguaia ( 1972 - 1974). Era uma área de forte conflitos entre camponeses posseiros e latifundiários grileiros ( grileiros: que tomam terras dos pequenos ). Essa situação tensa favoreceu o PC do B, em que sessenta e poucos guerreiros só foram derrotados por causa dos milhares de soldados que o Exército enviou para a área.
A Igreja Católica, no período do Regime Militar, passou por um processo de mudança. Com a Teologia da Libertação, surgia a consciência de que era necessário solidarizar-se com os pobres e lutar por um mundo mais justo e sem opressão. Com a vinda de João Paulo II ao Brasil (1980), essa atitude ganhou força.
Enquanto apoiou o regime autoritário, a Igreja fora elogiada. Bastou o Clero Progressista denunciar e lutar contra as barbaridades do capitalismo selvagem, para que logo fosse acusada de fazer politicagem. Grandes figuras como D.
Helder, D. E. Arns e D. Pedro Casaldáliga, defenderem os direitos humanos. Organizada nas Comunidades Eclesíais de Base, a população foi se conscientizando.
As forças sociais assumiram seus papéis na História, sob múltiplas formas e perspectivas ideológicas:
- Defesa dos Direitos Humanos
- Campanha da Anistia
- Movimento Contra o Custo de Vida
- Campanha Pela Constituinte
- Campanha Pelas Diretas.
O movimento estudantil renascia. Entidades, também como a SBPC - Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, ABI - Associação Brasileira de Imprensa. A imprensa alternativa : jornais O Pasquim , Movimento e Opinião não descansavam, lutavam contra a tortura e a arbitrariedade.
A extrema direita respondia afoitamente: D. Adriano Hipólito, bispo de Nova Iguaçu- RJ, é sequestrado e espancado. Bombas explodem na ABI. Em 1976, o DOI - CODI invade uma casa e massacra toda a direção do PC do B.
No Brasil , os comunistas vivem divididos. Um grupo segue a linha da URSS (Partido Comunista Brasileiro), que tinha Prestes como liderança. O outro grupo segue a linha chinesa ( Partido Comunista do Brasil), liderado por João Amazonas, Maurício Grabois e Pedro Pomar.
Os comunistas no Brasil tiveram líderes importantes. Destacaram-se: Prestes, Marighella, Lamarca, Mário Alves e tantos outros. Podemos discordar deles ideologicamente, todavia não há como não reconhecer o quanto tinham de honestidade, patriotismo , idealismo , coragem e de dedicação à causa dos trabalhadores. Não foram bandidos como a História tenta mostrar.
A Abertura não foi resultado da boa vontade do Governo Militar. Foi um recuo de um regime que vivia em crise e atacado por um povo que se organizava e fustigava o Sistema.
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