O acesso à terra: doação de
sesmarias e extermínio dos índios
Durante o período colonial, o Brasil se caracterizou como
simples fornecedor de produtos e gêneros de grande interesse no mercado
europeu, com a economia organizada e subordinada inteiramente a tal fim,
funcionando para produzir e exportar aqueles gêneros.
Devido a essa política, a economia de subsistência ocupava um
quadro secundário, acarretando sérios problemas de abastecimento
interno. A alimentação era insuficiente para a população colonial.
Excetuando-se as classes abastadas e ligadas à Coroa portuguesa, o
grosso da população vivia num estado constante de subnutrição.
A grande lavoura de exportação, os engenhos e as fazendas de
gado ocupavam, em larga escala, as melhores terras disponíveis.
A grande lavoura açucareira e a economia de subsistência eram
dois setores marcantes da economia colonial brasileira, sendo que a
primeira desenvolveu-se prosperamente, enquanto a outra não satisfazia
as necessidades mais elementares da população.
A pecuária era considerada, em principio, como um setor de
subsistência, sendo a carne um dos gêneros fundamentais de consumo da
colônia. Aos poucos, apesar do seu caráter secundário em relação à
economia açucareira, multiplicaram-se as fazendas de gado, ocupando
basicamente os sertões nordestinos.
O Piauí insere-se nas regiões ou zonas do sertão nordestino
onde prosperam grandes fazendas de gado, a principal atividade de
Capitania durante muitos anos, ocupando as terras dos índios para a
implantação e desenvolvimento da economia pecuarista.
A colonização do Piauí tem como marco inicial os anos
1660-1670, “quando a região se torna objeto de intensa penetração”,
principalmente por baianos e paulistas – grandes proprietários de
terras e escravos, preadores e caçadores de índios.
O Piauí do século XVII, quando começaram as penetrações das
expedições e as doações das primeiras sesmarias, era juridicamente
“terra de ninguém”. As sesmarias eram doadas por navegantes da
Bahia, de Pernambuco, do Pará e do Maranhão. Juridicamente, o Piauí
pertencia, desde 1621, ao
Estado do Maranhão, criado por Carta Régia, que compreendia o que hoje
são os Estados do Pará, Maranhão, Piauí, Amazonas, parte do Ceará,
Norte do Mato Grosso e Goiás, Acre, Rodônia, Roraima e Amapá.
Dissolvido em 1652, é reorganizado em 1751, com o nome de Grão-Pará e
Maranhão, para ser separado em dois Governos distintos em 1772. Em
1695, o Piauí desmembrou-se administrativamente da jurisdição de
Pernambuco, ligando-se ao Maranhão por determinação régia, a qual
iria vigorar em 1715. Dessa forma, diversas autoridades podiam doar
terras no Piauí, pois a legislação confusa permitia essa prática.
“As terras do Piauí eram distribuídas levianamente em sesmarias e
potentados absenteístas, homens ricos e de prestígio, moradores do
litoral que as obtinham sem lhes haver custado mais que pedi-las”.
Muito desconheciam a extensão dessas terras, verdadeiros latifúndios. |