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Processo de Ocupação do Piauí
Existem uma séria polêmica na historiografia piauiense em relação
ao início da colonização desta região. Durante muito tempo
acreditou-se que, diferente de outros territórios nordestinos, a
colonização teria sido feita do interior para o litoral, devido a
penetração da pecuária, desenvolvida longe da costa onde se cultivava
a cana-de-açúcar. Por proibição régia, no começo do século XVIII
(1701), “a criação de gado só era permitida à distância de 10 léguas
a partir da costa marítima. A esta altura, as fazendas criatórias já
se achavam adentradas pelo sertão nordestino, até o interior do Piauí
e Maranhão. Eram chapadas distantes do mar, onde se localizavam os
primeiros currais, aproveitando as várzeas dos rios e onde as populações
indígenas tinham seu habitat”, de acordo com Jacob Gorender. E
segundo as mais recentes pesquisas realizadas por Pe. Cláudio Melo nos
arquivos portugueses, o povoamento do norte do Piauí antecedeu ao do
sul. Ele acentua que “nossa civilização começou pelo litoral, ainda
no século XVI”, que “Domingos Jorge Velho realmente se antecipou a
Mafrense” e que “a implantação dos primeiros currais teve a sua
marcha pela Ibiapaba e não pelos vales do Piauí e Gurguéia”. Com
esta revisão historiográfica, Pe. Cláudio coloca mais “lenha na
fogueira” da polêmica sobre a época da penetração, início da
colonização e prioridade do povoamento pelo colonizador. Segundo ele,
no final do século XVI o náufrago Nicolau de Resende esteve no
litoral, mais especificamente no Delta do rio Parnaíba, mantendo
contato com os nativos Tremembés durante 16 anos, o que contradiz a
historiografia tradicional de que as primeiras penetrações do
colonizador teriam se dado pelos idos dos anos 1660/70. |
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