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1.1 ORIGEM E EVOLUÇÃO
              O Município de Picos teve sua origem no povoado Bocaina, onde Borges Marinho edificou uma capela, ainda hoje existente. Inicialmente, Picos foi uma unidade do vizinho município de Oeiras. O local onde está situada a cidade constituía uma fazenda de gado vacum, de propriedade da família Borges Leal, que se subdividiu por todo o município. Está localizada numa fertilíssima várzea à margem direita do rio Guaribas e cercada por montes picosos daí a origem de seu nome.
              As terras do Município ofereciam boas condições de pastagens e outras vantagens para todo gênero de criação. Em razão disso, vários compradores de eqüinos das então províncias de Pernambuco e Bahia eram atraídos, iniciando-se assim, o povoamento da região.
              Já bastante desenvolvido, foi criado, através da revolução provincial nº 308, de 11 de setembro de 1851, o povoado sob o orago de Nossa Senhora dos Remédios, tendo como seu primeiro pároco o Pe. José Dias de Freitas. Depois de desmembrado de Oeiras, a cujo termo foi anexado o seu distrito judiciário, foi o povoado, através da resolução provincial nº 397, de 20 de dezembro de 1855, elevado à categoria de vila, cuja instalação se verificou a 3 de julho de 1959. Na ordem judiciária ficou pertencendo à comarca de Jaicós, da qual foi desligado, para formar com o município de Patrocínio (atualmente Pio IX ), a comarca de Picos, criada pelo Decreto de 28 de dezembro de 1889 e instalada pelo seu primeiro Juiz de Direito, Dr. João Leopoldino Ferreira. O primeiro Promotor Público foi o coronel Josino José Ferreira.
              A Câmara Municipal teve como primeiro presidente o coronel Clementino de Sousa Martins, filho do legendário piauiense Major Manoel Clementino de Sousa Martins - herói da Balaiada.
              A 12 de dezembro de 1890, a vila foi elevada à categoria de cidade, pela resolução nº 33, baixada pelo governo do Estado, chefiado naquela época pelo Barão de Uruçuí.
              Pelo quadro administrativo relativo ao ano de 1933, o Município apareceu com dois distritos: o do mesmo nome e o de Patrocínio, que perdeu a categoria de vila e município, em virtude do Decreto Estadual nº 1.279, de 26 de junho de 1931. Nas divisões territoriais vigentes em 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, bem como anexo ao Decreto - lei Estadual nº 52, de 29 de março de 1938, o Município de Picos apresentava-se integrado apenas pelo distrito-sede. Em 1954, pela Lei Estadual nº 925, de 12 de fevereiro do mesmo ano, Picos perdeu parte de seu território para a formação do Município de Itainópolis. Mais tarde foram criados outros municípios, também desmembrados de seu território, que são os seguintes: Bocaina (Lei nº 2.560, de 19 de dezembro de 1963), São José do Piauí 9 Lei nº 2.562, de 19 de dezembro de 1963) e Monsenhor Hipólito (Lei nº 1.445, de 30 de novembro de 1956). O município consta atualmente de um único distrito e é sede de comarca de 4ª entrância. A atual legislatura foi instalada no ano de 1977, tendo sido eleito Prefeito Municipal o Dr. Severo Maria Eulálio e constituída a Câmara Municipal de 13 vereadores.

1.2 MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS E RELIGIOSAS
              É costume popular, no Município, celebrarem-se, no período compreendido entre o dia 24 de dezembro e 6 de janeiro, determinados festejos, nos quais se exibem danças e cânticos em torno de figuras de animais de crendices populares, tais como, o "boi", a "burrinha", o "jagurá", o "lobisomem, a "alma", a "velha da cabeça-de-fogo" etc.
              A padroeira da cidade é nossa senhora dos Remédios, cuja festa se realiza a 16 de agosto, com novenário, procissão, parque de diversões, barraquinhas, manifestações folclóricas e artesanato. Outras festas religiosas são comemoradas como: Sagrado Coração de Jesus, que tem inicio a 1º de julho e se prolonga até o dia 29. O natal é também festivamente comemorado.
              Para dar maior incentivo aos plantadores de algodão, realiza-se, no mês de novembro, a Festa do algodão: encontro técnico-científico sobre seu plantio.

2.1. CLIMA
              Segundo a classificação de Köppen, o clima é do tipo Bsh-quente e semi-árido, com estação chuvosa no verão.
              As precipitações atingem uma média de 679mm por ano, concentrado-se cerca de 77% deste total, no período de maio a novembro, quando ocorrem apenas chuvas eventuais, prevalecendo chuvisco escassos e dispersos, em virtude da ausência de frentes e obstáculos significativos do relevo aos ventos dominantes.
              O excesso e o déficit pluviométricos atingem uma média de 53% e 37% respectivamente, e a umidade relativa do ar fica em torno de 60%, índice que decai sensivelmente na época da estiagem, em conseqüência da intermitência dos cursos d'água (que apresentam regime pluvial) e ainda da vegetação bastante esparsa e seca nessa época do ano.

2.2 GEOLOGIA E GEOMORFOLOGIA
              A formação geológica da área decorre de vários períodos, constituindo-se predominantemente por rochas sedimentares, quase sempre arenitos. Encontram-se várias fraturas e falhas - a maior delas na direção NE/SW, onde efetuou-se ao sul do município, um derrame basáltico.
              Na sede, e abrangendo considerável área do Município, predominam os folhelhos e siltitos cinza-arroxeados com níveis de cólitos piritosos, membros da formação Devoniana Pimenteiras.
              A formação Cabeças, do Devoniano Médio, aflora a norte e oeste de Picos, na direção de Oeiras. Nele predominam os arenitos de granulação média a grosseira, com estratificação cruzada.
              A formação Serra Grande abrange uma larga faixa na porção leste, constituindo-se de arenito branco, grosseiro, conglomerático, com leitos de conglomerado digomítico, seixos de quartzo na base, leitos de siltito e folhelhos no topo. As estratificações são cruzadas.
              As formas de relevo, características da área de Picos, são as superfícies Tabulares e os Vales, que em conseqüência da atuação dos processos de dissecação, apresentam modelados em mesas, ravinas e vales encaixados.
              As chapadas representam grande parcela da superfície total do Município. São entalhadas por vales, cujo fundo geralmente corresponde a afloramentos de bancos de arenitos das formações devonianas. Estes vales apresentam-se geralmente com fundo chato e sua topografia torna-se suavemente inclinada à medida que se afasta do leito dos rios.
              A cidade de Picos assenta-se no vale do Rio Guaribas, que não possui um leito fixo. A ocupação da área é intensa, principalmente nas partes mais baixas e nas encostas, onde a retirada da vegetação acelera o processo de erosão, com a instalação de ravinas, o que provoca a lixiviação do solo e o conseqüente empobrecimento.

2.3. SOLOS E VEGETAÇÃO
              Distinguem-se em Picos várias unidades de solos, dentre as quais abrangem maior área os solos Litólicos e Areias Quartzas.
              Estas unidades apresentam solo de textura indiscriminada e arenosa, rasos e profundos, bem e fortemente drenados, estrutura indiscriminada e com grãos simples, com fertilidade natural baixa. Sua ocorrência se faz em extensa faixa, predominando no centro e sudoeste do Município. Ocupa principalmente as depressões com relevo suave ondulado e com testemunhos esparsos.
              O revestimento vegetal de quase toda a área constitui-se por caatingas, encontra-se o campo cerrado em pequena área à noroeste, revestindo o platô mais dissecado. O fato de apresentar agricultura bastante intensa ocasiona a degradação da caatinga, tornando-se difícil sua regeneração natural.
              Nesta área, revestida por caatingas, encontram-se diversas fisionomias. Nos aplainamentos próximos aos rios, o juazeiro, o umbu e a carnaúba dão a fisionomia um aspecto de caatinga arbórea. Ainda nos aplainamentos, cobrindo as ondulações, predominam a aroeira e a jurema e entre essas ondulações, os vales secos e rasos são aproveitados para a agricultura.
              Nos relevos residual - areníticos, de forma tubular, com contínua intervenção humana, domina a caatinga arbustiva com a favela e a jurema.
              O Latossolo vermelho - amarelo, textura média, e os solos Concrecionários Lateríticos também ocorrem na área. A cobertura vegetal predominante é de caatinga arbórea.
              Na sede, além dos solos litólicos, ocorre a unidade "podzólico Vermelho - Amarelo Equivalente Eutrófico e Latossolo Vermelho - Amarelo textura média". São solos profundos e fortemente drenados, com fertilidade natural variando da alta a média. Nessa unidade, a cobertura vegetal apresenta-se idêntica a dos a dos Solos Litólicos, porém muito arrasado pelo uso agrícola, sobretudo no vale dos rios São João e Guaribas.