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O RIO PARNAÍBA

                O rio Parnaíba apresenta paisagem de grande beleza. Desliza plácido, sereno e majestoso, no verão, formando praias em suas margens. Na estação das chuvas, ao receber grande volume de água dos seus vários afluentes, torna-se caudaloso, rápido, violento, de águas barrentas e escuras, causando erosão na margem direita, do lado do Piauí; destruindo, derrubando ribanceiras, inundando e invadindo as terras baixas. É mais bonito no verão, quando nos dá impressão de vasta lâmina de espelho, deslizando sobre seu leito, manso e sereno, formando praias e mantendo a vida, bem como a sobrevivência das populações ribeirinhas, pela presença dadivosa e vivificante da água. Nasce na chapada das mangabeiras, no extremo sul do Piauí e vai alargando-se, ao receber mais afluentes, até tornar-se rio caudaloso, dividindo os Estados do Piauí e Maranhão, de sul a norte, até o atlântico, onde vai despejar-se.
                Seu curso é muito bonito. Descreve curvas suaves, às vezes sinuosidades, quase meadros. Suas margens são predominantemente verdes, com abundante vegetação, formando verdadeira mata. Na estação seca, mais freqüentes na margem esquerda, do Maranhão, formam-se praias. Morros e serras, próximas ou distantes das margens, de desenho caprichoso e soberbo, vão perder-se na mata verde e compõem um quadro natural deslumbrante. Cidades, povoados, casa isoladas, granjas, quintas, plantações, fazendas e moradas enfeitam suas margens. Canoas, lanchas, barcos, botes e coxos flutuam sobre suas águas. Célebre, na sua margem ao lado do maranhão, perto de Amarante, é o morro da Arara, de rocha vermelha e de rara beleza. Várias cidades da margem piauiense do rio têm em frente, como vizinhas, outras na margem maranhense: Teresina tem Timon, Amarante tem São Francisco, Floriano tem Barão de Grajaú.
                É rio navegável e por ele, durante muitos anos, trafegaram os vapores, lanchas e barcas das companhias de Navegação Fluvial, que tinham sede na cidade de Parnaíba, situada ao norte do Estado, próxima ao mar. A navegação manteve-se até o final da década de quarenta, quando as firmas faliram, venderam seus vapores para outros rios, outros enferrujaram e se acabaram como sucata.
                Os principais vapores fluviais que trafegaram pelo rio e deixaram lembrança, foram: o Parnaíba (ex-Manoel Thomaz), o Piauí, Brasil, Santa Cruz, Chile, 15 de Novembro, Afonso Nogueira e outros, além de várias lanchas rebocadoras e barcas.
                Atualmente, o rio é trafegado apenas por lanchas, pequenos barcos e canoas a motor ou ainda canoas, botes e coxos a remo. Está mais raso em determinados trechos de seu curso, o que dificulta a navegação de vapores, por encalhar as embarcações de médio calado. O aterro se deve à sedimentação do leito por deposição de areia e terras de suas margens, levadas pela erosão fluvial e águas das chuvas. A erosão é favorecida pela falta de proteção das margens, principalmente pela destruição da vegetação ribeirinha, notadamente a "canarana".
                Para que se restabeleça a navegação fluvial do rio Parnaíba é necessário que se faça drenagem do seu leito proteção de suas margens, manutenção e estímulo à vegetação de suporte e combate à erosão. Não se pode desprezar a possibilidade da navegação, devido à importância dessa hidrovia para o transporte de passageiros, o escoamento de mercadorias e cargas em geral, o estímulo ao comércio e à produção e, conseqüentemente, ao desenvolvimento econômico, social e cultural das populações ribeirinhas.